Por Marco Severini, Espresso Italia
Um jovem suíço de 18 anos tornou-se a 41ª vítima do incêndio de Ano-Novo em Crans-Montana, informou a procuradoria cantonal do Valais. O rapaz faleceu ontem no hospital de Zurique, onde permanecia internado em decorrência das queimaduras e das lesões sofridas no trágico episódio.
Essa nova confirmação, além de ampliar a dimensão humana da catástrofe, reacende um tabuleiro jurídico que já se movimenta em múltiplas frentes. A Procuradoria do Valais concedeu formalmente a assistência judiciária à Itália, atendendo ao pedido gerado pelo fato de haver cidadãos italianos entre as vítimas. Em consequência, a Justiça italiana abriu um procedimento penal e terá, agora, acesso ao material probatório coletado pelas autoridades suíças.
Está agendada para 19 de fevereiro uma primeira reunião técnica entre as autoridades judiciais da Suíça e da Itália, encontro que terá natureza procedural mas significado estratégico: trata-se de alinhar provas, testemunhos e perícias, e de desenhar os contornos de uma cooperação transfronteiriça que pode ser decisiva para o desfecho da investigação. Em termos de diplomacia judicial, é um movimento de peças no tabuleiro que busca consolidar evidências e prevenir lacunas processuais.
No inquérito pelo incêndio no estabelecimento Le Constellation, atualmente constam quatro indiciados. Entre eles estão Jacques e Jessica Moretti. Além do casal, estão sob escrutínio o ex e o atual chefe do serviço de segurança pública do município de Crans-Montana, para apurar possíveis responsabilidades relacionadas ao controle e à fiscalização dos estabelecimentos na noite do desastre. A investigação busca estabelecer não apenas a causa imediata do fogo, mas também eventuais omissões administrativas e falhas nos mecanismos locais de supervisão.
Do ponto de vista estratégico e institucional, o caso revela fragilidades nos alicerces da diplomacia judiciária e na governança local: quando tragédias atingem cidadãos de diferentes nacionalidades, o desenho das responsabilidades exige coordenação técnica e política. A cooperação entre a Procuradoria de Roma e a Procuradoria do Valais transformará peças dispersas em um mosaico probatório comum, com impacto potencial sobre processos civis e criminais em ambas as jurisdições.
Como analista, observo que o progressivo aumento do número de vítimas funciona como um catalisador de ação institucional — e também como um exame sobre a capacidade das autoridades locais de controlar riscos em estabelecimentos públicos. O desfecho das investigações e a tramitação das assistências judiciárias serão determinantes para a reparação das famílias e para eventuais reformas regulatórias que se façam necessárias.
Seguiremos acompanhando os passos processuais, com atenção ao encontro técnico de 19 de fevereiro, cuja dinâmica poderá indicar se a tectônica de poder jurídico entre Cantão e Estado nacional seguirá uma trajetória cooperativa ou se surgirão disputas por competência e interpretação das provas.






















