Por Marco Severini — A Costa Rica volta-se às urnas em uma votação que definirá o presidente para o período 2026-2030 e os 57 membros da Assembleia Legislativa. São cerca de 3,7 milhões de eleitores convocados em uma das democracias mais estáveis da América Latina, mas que chega a este pleito sob a sombra de uma preocupação dominante: a segurança pública associada ao narcotráfico e ao recrudescimento dos homicídios.
As seções eleitorais abriram no domingo às 06:00 (hora local; 13:00 em Roma) e permaneceram em funcionamento por 12 horas, até as 18:00 locais (01:00 de segunda-feira na Itália). O clima da campanha foi orientado pelo tema da violência: pesquisas apontaram a insegurança como o principal problema percebido pela população, com a maioria dos homicídios atribuída a disputas entre facções ligadas ao tráfico de drogas.
No centro da disputa está a candidata do partido governista, Laura Fernández, do Partido Popular Soberano (direita), que propõe uma agenda de mão dura contra o crime organizado. Entre suas propostas constam a declaração de estado de emergência em áreas conflagradas, reformas no sistema judiciário e nas leis anticrime, além da construção de um mega-cárcere inspirado no modelo adotado em El Salvador pelo presidente Nayib Bukele.
Os principais nomes da oposição — como Claudia Dobles, pela Coalizão Agenda Cidadã (centro-esquerda), e Álvaro Ramos, pelo Partido da Libertação Nacional (social-democrata) — compartilham a percepção da necessidade de endurecer o arcabouço legal contra o crime organizado e de ampliar operações policiais especiais. No entanto, contrapõem soluções mais amplas: priorização de políticas sociais, educação, revitalização de espaços públicos, esporte e cultura como vetores de prevenção à violência.
Dos 20 candidatos à presidência (15 homens e 5 mulheres), muitos dos 19 opositores criticaram o plano de Fernández como potencialmente autoritário e portador de riscos aos alicerces democráticos. Para a disputa legislativa inscrevem-se 1.207 candidatos, dos quais 49,1% são mulheres e 50,9% homens, refletindo uma composição relativamente equilibrada de gênero.
O Tribunal Supremo Eleitoral (TSE) assegurou que o processo se desenrola de modo seguro, com controles rigorosos sobre o material eleitoral e presença de representantes partidários nas seções de votação. O TSE anunciou a divulgação dos primeiros resultados às 20:45 locais (03:45 de segunda em Roma), um momento que deverá fornecer as primeiras pistas sobre a direção do eleitorado.
Do ponto de vista estratégico — como em um tabuleiro de xadrez — esta eleição não é apenas uma disputa por cadeiras. É um movimento decisivo na tectônica de poder regional: decisões sobre segurança interna repercutem em rotas do narcotráfico, em relações com vizinhos e em precedentes institucionais que redefinem fronteiras políticas invisíveis. A proposta de um mega-cárcere e a retórica do estado de emergência são jogadas de alto risco, que podem consolidar autoridade ou fragilizar ainda mais os alicerces institucionais da República.
Será importante observar, nas horas seguintes ao pleito, não apenas os percentuais, mas os discursos dos vencedores e a reação das instituições: reformas judiciais e operacionais anunciadas hoje desenharão o mapa da Costa Rica dos próximos quatro anos — e terão efeitos além de suas fronteiras.






















