Por Giuseppe Borgo — Em uma visita curta, porém carregada de simbolismo, a presidente do Conselho Meloni esteve no Hospital Le Molinette em Turim para ver os agentes feridos nos confrontos que marcaram o protesto pelo despejo do centro sociale Askatasuna. O gesto tem sinal claro: a execução de uma ponte entre a autoridade central e os profissionais que seguram os alicerces da ordem pública.
A Premier permaneceu cerca de dez minutos ao lado do policial hospitalizado, identificado como Alessandro Calista, e com outros agentes que receberam atendimento após os episódios de violência. Segundo a presidência, o agente de 29 anos segue internado, mas sem risco imediato de vida.
Na esteira das diligências, foi anunciado o arresto de um dos suspeitos apontados como participante direto da agressão ao policial: trata-se de um homem de 29 anos, natural de Pescara, detido pelas autoridades enquanto as investigações prosseguem.
Por meio de suas redes sociais, Meloni descreveu com firmeza a natureza da ação coletiva: relatou o uso de ferramentas e armamentos improvisados — martelos, coquetéis molotov, pedras lançadas com catapultas, bombas de papel recheadas de pregos — além do emprego de jammers para atrapalhar comunicações das forças de segurança. “Estes não são manifestantes, são criminosos organizados“, afirmou a chefe do governo, acrescentando que quando se golpeia alguém com martelos é consciente o risco de consequências gravíssimas. “Não se trata de confrontos, trata-se de tentativa de homicídio“, completou, citando relatos de agentes que disseram que a intenção dos atacantes era literalmente ‘fazer-nos desaparecer’.
Em reação à escalada, o governo convocou uma reunião de caráter urgente para a manhã seguinte, com objetivo de avaliar as ameaças à ordem pública e estudar possíveis alterações no decreto segurança. A proposta anunciada é clara: “fazer tudo o que for necessário para restaurar as regras no país”, nas palavras da Premier.
A presidente também fez um apelo direto ao poder judiciário, pedindo que os fatos sejam perseguidos com rigor aplicado às normas vigentes. Expressou preocupação com o que descreveu como assimetria na tutela legal: segundo ela, se os policiais tivessem reagido, já estariam sob investigação. “Se não conseguimos defender quem nos defende, o Estado não existe”, advertiu.
Os números oficiais divulgados pelas autoridades contabilizam 108 agentes feridos nos confrontos: 96 policiais, 5 carabinieri e 7 da Guardia di Finanza. Em paralelo, o ministro da Defesa, Guido Crosetto, relatou ter visitado o Comando Provincial dos Carabinieri em Turim e descreveu a ação dos manifestantes como uma estruturação quase militar: mais de 1.000 pessoas divididas em dois grandes blocos, com estratégia de guerrilha urbana.
Como repórter, vejo aqui dois planos que se entrelaçam e exigem atenção: o imediato, que é o restabelecimento da segurança e a responsabilização penal dos autores de crimes violentos; e o estrutural, que demanda revisão das normas e instrumentos que formam os alicerces da lei e da ordem pública. A visita de Meloni funciona, simbolicamente, como uma viga de sustentação para a narrativa governamental — resta agora observar como o judiciário e o parlamento transformarão essa intenção em medidas concretas.
Enquanto isso, a cidade de Turim segue contabilizando os danos — físicos e institucionais — e aguardando o desenlace das investigações. A construção de respostas que não sacrificam direitos civis, mas que não permitam a impunidade de atos violentos, será o teste para os próximos dias.






















