Por Alessandro Vittorio Romano — Em uma paisagem onde cifras e memórias se entrelaçam como as estações, circulou nas redes sociais uma infografia que reacendeu um debate sensível: a relação entre o aumento das doses recomendadas de vacinas e a elevação do diagnóstico de autismo entre menores nos EUA.
O material visual, amplamente compartilhado, traça duas linhas paralelas ao longo das últimas décadas: de um lado, o crescimento do calendário vacinal pediátrico — que, segundo a mesma ilustração, passou de 5 doses em 1962 para cerca de 72 aplicações recomendadas hoje, entre vacinas obrigatórias e sugeridas ao longo da infância e adolescência; do outro, a curva das diagnósticos de autismo, que saltaria de aproximadamente 1 caso a cada 10.000 crianças em 1962 para 1 em 36 na contemporaneidade.
No detalhe histórico apresentado, os vacinos principais em 1962 eram contra poliomielite, varíola e difteria-tétano-pertosse. Já em 1983 o número exibido sobe para 24 doses, refletindo novas imunizações e reforços. Hoje, conforme o calendário atual citado, somam-se aplicações contra hepatite A e B, rotavírus, pneumococo, meningococo, HPV, a influenza anual e outros reforços distribuídos até os 18 anos de idade.
O post sugere que as duas histórias — mais doses e mais diagnósticos — caminham em paralelo, insinuando uma relação direta. É uma narrativa que aguça emoções: como uma paisagem que muda e nos obriga a revisar os hábitos, a discussão toca medo, responsabilidade e desejo por respostas claras.
Nas mesmas publicações, há menção a uma mudança de tom em documentos oficiais: o texto cita que o CDC (Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos EUA) teria afirmado que a declaração “os soros não causam autismo” não estaria suficientemente respaldada, e que estudos não eliminariam totalmente essa possibilidade — além de apontar que o Departamento de Saúde dos Estados Unidos teria iniciado uma revisão abrangente das causas do autismo.
Como observador atento do cotidiano e dos ciclos que conectam ambiente e bem-estar, lembro que correlação não é sinônimo de causalidade. O gráfico viral traduz um paralelo numérico; porém, a investigação científica exige lentes mais finas: mudanças nos critérios de diagnóstico, maior vigilância médica, campanhas de rastreamento e consciência pública também alteram as estatísticas ao longo do tempo — são como sementes que mudam a colheita.
Este é um tema que merece escuta e cuidado: os números ofuscam rostos reais e famílias que buscam respostas. Se a infografia reacende dúvidas legítimas sobre segurança vacinal e fatores ambientais, também convoca autoridades, pesquisadores e a sociedade a aprofundar investigações com transparência e sensibilidade. Afinal, o bem-estar coletivo cresce quando convergimos ciência, empatia e políticas claras — como uma cidade que respira em sincronia com as estações.






















