Assinatura: Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia
A curva da gripe na Itália segue seu arrefecimento, como uma maré que volta a recuar depois do auge. Segundo o último boletim da rede de vigilância RespiVirNet do Istituto Superiore di Sanità (ISS), na última semana foram registrados cerca de 620 mil novos casos de infecções respiratórias agudas — pouco mais de 100 mil a menos que na semana anterior. Desde o início do ano, a contagem chega a 9,8 milhões de casos.
O índice de incidência situou-se em 11,3 casos por 1.000 habitantes, retornando a níveis observados no final de novembro. A desaceleração é visível em quase todas as faixas etárias: as infecções caem de forma generalizada, com uma exceção que merece atenção sensível como uma planta que brota novamente após o frio — as crianças menores de quatro anos. Nesse grupo, após a forte queda vista nas férias de fim de ano, houve um aumento pelo segundo semana consecutiva, passando de 33,3 para 40,2 casos por 1.000 crianças.
Geograficamente, quase todas as regiões registraram intensidade baixa na última semana. As exceções são Basilicata e Campania, que, com mais de 20 casos por 1.000 habitantes, continuam em uma fase de intensidade muito alta da temporada — pontos quentes numa paisagem que, em geral, esfria.
Também apresentam declínio as idas aos prontos-socorros: 17 mil atendimentos na última semana, ante 20 mil na semana precedente. Os casos graves que exigiram cuidados hospitalares por infecções respiratórias também diminuíram, aliviando, por ora, a pressão sobre os leitos.
Sobre os agentes em circulação, a rede de vigilância confirma a redução do papel dos vírus influenza, que responderam por cerca de 25% dos amostras positivas na última semana. Entre os demais patógenos detectados, sobressaem o vírus sincicial respiratório (VSR) com 16,3%, o rhinovírus com 9,6%, e coronavírus distintos do Sars-CoV-2 com 6,1%. Já o Sars-CoV-2 representou 1,4% das amostras.
Como observador atento das estações e dos ritmos cotidianos, vejo nesta transição epidemiológica algo parecido com as estações: há um alívio geral, mas também bolsões onde a paisagem ainda pulsa forte. Para famílias e cuidadores, a recomendação é manter a vigilância — higiene respiratória, vacinação quando indicada e atenção aos sinais de agravamento em crianças pequenas e adultos vulneráveis — enquanto a cidade respira mais tranquila, mas sem descuidar das raízes do bem-estar.
Em suma: a temporada de gripe dá sinais de recuo, mas a presença persistente em crianças muito pequenas e em regiões como Basilicata e Campania pede olhos e cuidado atentos, como quem observa a mudança de luz no fim da tarde e ajusta o passo.






















