Confrontos em Turim marcaram o centro da cidade após a ação de despejo do imóvel ocupado conhecido como Askatasuna. Em um pronunciamento nas redes sociais, a presidente do Conselho, Giorgia Meloni, definiu o episódio como “grave e inaceitável” e alertou para o risco de que ações assim corroam os alicerces da lei e da convivência.
Segundo a chefe do Governo, um despejo legítimo de um imóvel ocupado irregularmente foi transformado em pretexto para desencadear uma onda de violência: incêndios, lançamento de bombas de fabricação caseira, agressões organizadas e ataques que chegaram a atingir um blindado da Polícia. “As imagens do agente agredido falam por si: não estamos diante de manifestantes, mas de sujeitos que agem como inimigos do Estado”, afirmou Meloni.
Na avaliação da primeira-ministra, quem sofreu as consequências imediatas foram as forças da ordem, que tiveram de enfrentar uma verdadeira guerrilha urbana, e profissionais da imprensa, atacados enquanto exerciam seu trabalho. “A eles minha plena solidariedade, assim como aos cidadãos prejudicados, que pagaram o preço de uma violência cega e deliberada”, declarou.
O pronunciamento insistiu em separar o dissenso legítimo das ações violentas: “Isso não é dissenso nem protesto: são agressões violentas com o objetivo de atingir o Estado e quem o representa. E por isso devem ser tratadas pelo que são, sem perdões e sem justificativas”. A líder do Executivo ressaltou ainda que o Governo já reforçou instrumentos para combater a impunidade e pediu que a Magistratura aja com rigor para evitar episódios de laxismo que, segundo ela, no passado anularam medidas necessárias contra quem vandaliza cidades e agride quem as protege.
Ao enfatizar que defender a legalidade não é provocação, Meloni posicionou o Estado sem ambiguidades: ao lado de quem veste uma farda, de quem informa e de quem respeita as regras da convivência civil. A declaração sublinha a dimensão institucional do caso — o “peso da caneta” decisória do Executivo — e cobra que a ação judicial conclua o ciclo de responsabilização.
Como repórter atento à interface entre decisões de Roma e vida cotidiana, registro que episódios como esse erodem a confiança pública se não houver respostas claras. A resposta do Governo procura reforçar os alicerces da lei, mas a efetividade depende da coordenação entre polícia, magistratura e instrumentos administrativos: é preciso transformar reação em rotina de prevenção, não apenas em medidas punitivas pós-fato.
Percebe-se também um recado político: a construção de direitos e a manutenção da ordem caminham juntas, e derrubar barreiras burocráticas que atrapalhem investigações e ações preventivas é tão essencial quanto proteger o direito de manifestação pacífica. A sociedade espera que, além das palavras de condenação, venham ações que devolvam segurança às ruas e garantam responsabilidade a quem extrapola os limites da lei.
Giuseppe Borgo — Espresso Italia






















