Por Alessandro Vittorio Romano
Em um cenário esportivo que mais lembra as marés imprevisíveis da natureza, ontem vimos mais um capítulo delicado: Sinner não resistiu a Djokovic — um rival que, segundo a narrativa popular, é cerca de quinze anos mais velho. O que aconteceu em quadra reacende questões maiores sobre a resistência física dos atletas modernos, as coincidências de lesões e as explicações que a imprensa e as redes sociais tentam costurar para dar sentido ao inesperado.
Não há poesia fácil para descrever o rosto exausto de um campeão que se vê vencido pela própria fadiga. Quando observo esses episódios, penso no tempo interno do corpo, naquele relógio biológico que nem sempre bate em sincronia com o calendário das competições. Ver o jovem italiano, tão promissor e tão intensamente trabalhado, ceder diante de um veterano que parece renascer a cada pausa inspira mais perguntas do que respostas.
As interpretações abundam: uns apontam para treinos excessivos, outros para problemas alimentares, jet lag ou rotinas que desgastam as fibras até torná-las frágeis. Há também quem reapresente teorias envolvendo vacinas e “consequências” de tratamentos médicos — narrativas que circulam na mesma velocidade das manchetes e que exigem cautela. Como observador sensível da vida cotidiana italiana, lembro que explicações simplistas raramente bastam. A ligação entre vacinação e quadros crônicos não é afirmada por evidências robustas no caso desses atletas; o que vemos é um filão de especulação que ganha força em momentos de fragilidade coletiva.
Nosso olhar encontra ecos em outros nomes do circuito: Musetti teve sua própria sequência de contratempos e foi justamente contra Djokovic que sofreu um revés decisivo; Berrettini também já mostrou partidas promissoras interrompidas por lesões a meio caminho. Não é somente uma coincidência isolada. A temporada tem mostrado atletas com queixas recorrentes, relatos de dor que lembram uma cidade que respira com dificuldade após uma tempestade.
O caso de Sinner, porém, é emblemático porque confronta duas imagens antagônicas: o vigor do jovem e a sobriedade do veterano. Djokovic, com sua experiência e aparente capacidade de suportar partidas longas, parece tocar um centro de resistência que desafia expectativas. Sinner, por sua vez, confronta a fragilidade humana — aquela que nos lembra que corpo e mente respondem a pressões acumuladas. Entre treinamento intenso e competições cruéis, há uma colheita de hábitos que precisa ser repensada.
Como cultivar maior durabilidade física sem transformar o atleta em máquina? Que medidas preventivas, rotinas de recuperação e escuta sensível do corpo podemos promover para que a saúde acompanhe o talento? São perguntas necessárias para além das explicações fáceis e das manchetes que correm apressadas.






















