Por Giulliano Martini — Apuração in loco e cruzamento de fontes. Em Turim, um cortejo em memória do centro sociale Askatasuna terminou em confrontos violentos na tarde deste sábado, com manifestantes lançando bombas carta, pedras e coquetéis molotov improvisados contra as forças de segurança. A polícia respondeu com intenso uso de lacrimogênios e jatos de água.
O protesto, que saiu da estação Porta Nuova e tinha como objetivo contestar a desocupação do imóvel ocorrida há um mês, levou às ruas, segundo organizadores, cerca de 15 mil pessoas. Os episódios mais graves ocorreram na altura de corso Regina Margherita, no quartiere San Salvario, onde também foi ateado um pequeno incêndio na via.
Fontes policiais e imagens amadoras registradas no local indicam lançamentos continuados de objetos e petardos. Um homem, ainda não identificado, foi visto caído na via com sangramento na cabeça — testemunhas e equipes de socorro sinalizam que pode ter sido atingido por uma pedra. Um agente da polícia sofreu lesão na perna e foi levado às retaguardas para atendimento.
Ao todo são 11 os feridos contabilizados até o momento, número provisório enquanto prosseguem as verificações. A polícia deteve cerca de uma dezena de manifestantes durante as ações para restaurar a ordem. Entre os casos mais graves, há imagens que mostram um policial cercado e agredido por um grupo de manifestantes encapuzados; o agente, identificado como militar do reparto mobile de Pádua, 29 anos, foi retirado do local por colegas e depois medicado. Segundo fontes oficiais, ele apresenta contusões múltiplas, sem risco de vida imediato.
Durante os confrontos, uma camioneta policial foi incendiada. As forças de segurança posicionaram viaturas para impedir o acesso às ruas que levam à sinagoga próxima, medida preventiva em um bairro marcado por tensões locais. Numerosas bandeiras palestinas foram exibidas pelos manifestantes, que gritavam palavras de ordem como “Palestina Libre”.
A emissora pública RAI denunciou a agressão contra a jornalista Bianca Leonardi e seu cinegrafista, integrantes da equipe do programa “Far West”: segundo a reportagem da própria emissora, ambos teriam sido atacados por grupos antagonistas encapuzados durante a cobertura.
Repercussão institucional: o Presidente da República, Sergio Mattarella, ligou ao Ministro do Interior, Matteo Piantedosi, para transmitir solidariedade ao agente agredido e a todas as forças de segurança envolvidas. A primeira-ministra Giorgia Meloni qualificou os responsáveis pelos episódios como “inimigos do Estado“, em comentário oficial que condenou a escalada de violência.
O episódio reabre o debate sobre o manejo dos despejos de imóveis ocupados e sobre os limites do protesto político em áreas urbanas densas. A cobertura permanece em desenvolvimento: seguimos com cruzamento de fontes oficiais, imagens de vídeo e depoimentos de testemunhas para atualização dos fatos brutos e verificação de eventuais novas prisões ou feridos.






















