Por Chiara Lombardi — Em um dos roteiros mais afiados sobre a máfia e a cultura do crime do século XX, Ray Liotta ofereceu em 1990 uma interpretação que permanece como espelho do nosso tempo. Em Quei bravi ragazzi (o clássico de Martin Scorsese que chega às telas da emissora Iris no sábado, 31 de janeiro, às 11h15), Liotta encarna Henry Hill, o homem cuja carreira criminosa foi narrada por Nicholas Pileggi no livro Il delitto paga bene. A adaptação cinematográfica traz consigo não só violência e glamour, mas também o roteiro oculto da sociedade que normaliza o crime.
Este perfil reúne sete pontos que ajudam a entender por que a performance de Ray Liotta ressoa décadas depois — tanto como peça de atuação quanto como eco cultural.
- A origem e o início da vida: Liotta nasceu em 1954 e foi adotado aos seis meses. Essa história pessoal, de pertencimento interrompido, atravessa suas escolhas dramáticas e a urgência emocional que ele imprimia aos personagens.
- O papel que mudou tudo: Interpretar Henry Hill foi para Liotta um ponto de inflexão. Em Quei bravi ragazzi, sua performance equilibra carisma e autodestruição — o que transforma um gangster em figura trágica e reconhecível.
- A parceria com Scorsese e Pileggi: O encontro entre a direção precisa de Martin Scorsese e o material de Nicholas Pileggi criou um cenário de transformação: a saga pessoal de Hill virou um estudo de personagem que transcende o gênero mafioso.
- A naturalidade aparente: Liotta não se apoia em excessos; ele encontra nuances. Essa economia de gestos torna sua presença tão memorável quanto as explosões de violência que cercam o filme.
- Além de Goodfellas: Apesar de ser lembrado principalmente por Quei bravi ragazzi, Liotta construiu uma carreira diversa, transitando entre cinema e televisão, sempre com um viés de intensidade contida.
- Uma carreira curta para uma vida intensa: A partida prematura de Liotta, em 2022, deixou o público revisitando seu trabalho com um olhar de ressentimento e admiração — como se cada cena fosse agora um fragmento de memória coletiva.
- O legado cultural: A obra é mais do que entretenimento; é um espelho cultural que nos convida a refletir sobre a sedução do poder, a memória social do crime e o preço da ascensão. Quei bravi ragazzi continua a ser um reframe da realidade, um estudo sobre como histórias pessoais se tornam mitos contemporâneos.
Se você pretende assistir à transmissão na Iris — programada para sábado, 31 de janeiro, às 11h15 — vale olhar para além da trama: repare nos silêncios, nas pausas e na maneira como Ray Liotta humaniza o que, de outra forma, seria apenas espetáculo. É nesse espaço entre performance e verdade que o filme revela o roteiro oculto da sociedade.
Em termos de memória cultural, a interpretação de Liotta funciona como um close prolongado num rosto que, por um instante, concentra ambição, culpa e esquecimento. Assistir a Quei bravi ragazzi hoje é revisitar um momento em que o cinema italiano e americano conversaram sobre identidade, memória e imagem pública — um diálogo que ainda reverbera nas telas e nas redes.
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