Por Chiara Lombardi — Em um movimento que mistura reverência histórica e audácia cinematográfica, The Beatles ganham um primeiro olhar oficial em fotos divulgadas pela Sony Pictures. O ambicioso projeto de Sam Mendes, intitulado “A Four Film Cinematic Event”, revelou os atores que encarnarão os quatro membros da banda de Liverpool: Paul Mescal como Paul McCartney, Harris Dickinson como John Lennon, Joseph Quinn como George Harrison e Barry Keoghan como Ringo Starr.
As primeiras imagens — que têm o peso simbólico de uma cartolina que viaja pela memória coletiva — foram distribuídas inicialmente na quinta-feira em cartões físicos entregues no Liverpool Institute for Performing Arts, a escola cofundada por Paul McCartney. A escolha do formato postal ecoa como um gesto curatorial: uma lembrança tátil num mundo saturado de feeds digitais, quase um relicário para fãs e para a própria iconografia dos Beatles.
As cartolinas chegaram também a locais carregados de significado na trajetória da banda: a casa de infância de John Lennon em Liverpool; diversos pontos emblemáticos em Hamburgo (como o Beatles Monument, o Cavern Club, o Kaiserkeller e o The Star-Club); e várias referências em Nova York — de Strawberry Fields no Central Park a universidades como NYU e Columbia, além de lojas de discos, boutiques vintage, cafés e bares. Em Tóquio, o material foi encontrado em espaços como o Abbey Road Live, a Tower Records de Shibuya, o Broadway Diner de Yoyogi, a Tsutaya e o The Capital Hotel Tokyo.
O projeto, produzido pela Sony Pictures, será apresentado em quatro filmes distintos, cada um centrado na perspectiva pessoal de um dos Beatles, oferecendo um mosaico biográfico que pode revelar não apenas eventos públicos mas os conflitos íntimos e as motivações privadas de cada um — o que, em termos de narrativa, é um convite para reescrever o mito sob múltiplas lentes. O lançamento está marcado nos Estados Unidos para 7 de abril de 2028; por enquanto não há confirmação oficial sobre a data de estreia na Itália ou no Brasil.
Além dos protagonistas, o elenco reúne nomes que compõem a teia humana ao redor do quarteto: Saoirse Ronan como Linda McCartney; James Norton como Brian Epstein; Mia McKenna-Bruce como Maureen Starkey; Anna Sawai como Yoko Ono; Aimee Lou Wood como Pattie Boyd; Harry Lloyd como o produtor George Martin; David Morrissey como Jim McCartney; Leanne Best como Mimi Smith; Bobby Schofield como Neil Aspinall; Daniel Hoffmann-Gill como Mal Evans; Arthur Darvill como Derek Taylor; e Adam Pally como Allen Klein.
Enquanto a notícia circula, é inevitável pensar na dimensão cultural desse lançamento: não se trata apenas de mais um biopic, mas de um exercício de reescritura coletiva — um espelho do nosso tempo onde figuras icônicas são revisitadas por meio de atores que trazem rostos contemporâneos ao imaginário clássico. A estratégia de dividir a saga em quatro peças autônomas tem o potencial de desmontar o mito unívoco, oferecendo um reframe que privilegia a subjectividade e a complexidade humana.
Para o público e para os pesquisadores de cultura pop, o que vem por aí é uma oportunidade de analisar como a memória dos Beatles será moldada pela estética e pela política do presente. Em essência, o projeto de Sam Mendes promete ser tanto um tributo quanto uma investigação: o roteiro oculto da sociedade encontra, na tela, seus personagens mais emblemáticos — e a expectativa é ver como esses quatro filmes irão espelhar as contradições e os ecos culturais que os Beatles continuam a provocar.






















