Por Stella Ferrari — 29 de janeiro de 2026 | Fonte: LaPresse
Os resultados trimestrais da Meta para o quarto trimestre de 2025 mostram uma combinação de aceleração de receitas e aumento expressivo de custos, com impacto direto na dinâmica do mercado e na confiança dos investidores. Em uma leitura que exige calibragem fina entre crescimento e eficiência, a companhia proprietária de Facebook, Instagram e WhatsApp registrou desempenho operacional robusto, que levou as ações a uma valorização próxima de 10% no pregão.
No período encerrado em dezembro, a Meta alcançou uma receita de US$59,89 bilhões, um avanço de 24% em relação ao mesmo trimestre de 2024. O volume de negócios anualizado também evoluiu, com o giro total do ano mostrando incremento de aproximadamente 23%.
Entretanto, a leitura detalhada revela que o resultado vem acompanhado por uma elevação sensível nas despesas. Somente no quarto trimestre, os custos operacionais somaram US$35,15 bilhões, um aumento de 40% na comparação anual. Para todo o exercício de 2025, as despesas alcançaram US$117,69 bilhões, crescendo 24% ante 2024 — um sinal de que a estratégia de investimento está consumindo margem no curto prazo.
O lucro líquido ficou em US$22,7 bilhões, subindo 9% ano a ano. Esse patamar superou as expectativas dos analistas, que aguardavam uma expansão mais contida. Do ponto de vista de mercado, trata-se de um dado que reforça a resiliência da monetização dos ativos digitais da empresa, apesar da maior pressão de custos.
Na comparação com outros gigantes de tecnologia, a reação dos investidores à divulgação foi bastante favorável. As ações da Meta registraram forte alta imediata, refletindo confiança na capacidade da gestão de transformar investimentos em crescimento sustentável.
Um ponto central da narrativa foi o plano de investimentos — o capex projetado pela empresa para 2026: aproximadamente US$135 bilhões. Trata-se de uma aposta explícita na disputa pela liderança em inteligência artificial e infraestrutura de ponta. Depois de um período em que Mark Zuckerberg privilegiou iniciativas no metaverso, a companhia mudou marcha e intensificou a alocação em tecnologia de IA, numa tentativa de acelerar a competitividade contra rivais que já haviam tomado a dianteira.
Paralelamente, a Meta anunciou acordos com grupos editoriais para treinar modelos de IA usando notícias verificadas, com compensação aos veículos pela utilização de conteúdo jornalístico, uma estratégia que combina responsabilidade e capital intelectual.
Como economista e estrategista, interpreto esses números como uma fase de forte investimento no motor da empresa: a combinação entre expansão de receita e aumento deliberado de custos para construir capacidades de longo prazo. É uma estratégia de alta performance, que exige precisão — como em um projeto de engenharia automotiva, onde a potência do motor precisa ser acompanhada pela excelência na suspensão e freios.
Os próximos trimestres serão decisivos: a empresa precisa demonstrar que a aceleração de capex traduzirá ganho de eficiência e novas fontes de monetização, sem que os custos acelerados se transformem em desgaste de margem permanente. Para investidores institucionais e conselhos, a pergunta agora é sobre a eficácia dessa calibragem de recursos em um ambiente macroeconômico incerto.
Em suma, a Meta segue em trajetória de crescimento com investimentos agressivos — um trade-off clássico entre curto e longo prazo que exige monitoramento contínuo. A amplitude do aporte em 2026 coloca a empresa em posição de liderança potencial na corrida pela IA, mas também eleva a importância da execução disciplinada.






















