Monte dei Paschi di Siena acelera a preparação da sua lista interna para a renovação do Conselho de Administração (CdA). A direção, sob supervisão do comitê de nomeações, trabalha numa long list de cerca de 20 a 25 candidatos que deverá ser apresentada até 15 de fevereiro, com a short list a ser refinada até o final do mês.
O processo foi formalizado na reunião do conselho realizada em 28 de janeiro, onde se definiu o calendário e as limitações operacionais relativas às competências do CEO. Em particular, ficou acordado que o CEO Luigi Lovaglio participará ativamente das votações internas para compor a lista, mas não tomará parte dos contatos e entrevistas com os sócios. Essa separação de funções foi mediada pelo presidente Nicola Maione e por Domenico Lombardi, presidente do comitê de nomeações, e visa proteger a instituição das potenciais repercussões vinculadas à investigação da Procura de Milão por suposto agravamento de informações ao mercado e obstrução à supervisão.
Na prática, a medida atua como um sistema de freios para isolar riscos reputacionais enquanto o banco mantém a sua rota estratégica. A operação de identificação de perfis conta com a colaboração da sociedade de head hunting Korn Ferry, enquanto ainda está em avaliação a contratação de um consultor responsável pelos serviços de solicitation para as listas alternativas.
Segundo o cronograma aprovado, a versão final da lista deverá ser consolidada nos primeiros dias de março, a tempo de ser submetida à BCE para os controles de integridade e capacidade profissional (fit & proper). O documento final terá de ser publicado até 5 de março, prazo que corresponde a 40 dias antes da assembleia geral. Para as alternativas, como a lista aguardada por Assogestioni, o prazo estende-se por mais dez dias.
Do ponto de vista político-institucional, a recondução de Lovaglio permanece o ponto mais sensível. Embora parte do conselho proponha uma mudança de gestão para aliviar tensões internas, o CEO conta com apoios relevantes: o Ministério da Economia e Finanças (MEF), que controla sete membros do board, e o grupo Delfin. Trocar a liderança num curto espaço de tempo pareceria impraticável, especialmente com a exigência de Frankfurt de apresentação do novo plano industrial até março.
O novo plano industrial é, aliás, o tema de um encontro informal do conselho agendado para hoje. As visões divergem: Lovaglio sinaliza intenção de honrar compromissos assumidos na operação envolvendo a Mediobanca, que contemplava até hipóteses de delisting; por outro lado, conselheiros que advogam por uma guinada estratégica defendem alterações mais profundas.
Em termos de governança e mercado, trata-se de calibrar a próxima marcha do banco: a long list funciona como mapa de peças para o motor da economia bancária, enquanto a BCE e os sócios observam a precisão da calibragem. Resta acompanhar se o consenso desejado pelo presidente Maione permitirá superar a barreira dos dez votos prevista pelas recentes normas do TUF, assegurando estabilidade durante a fase de revisão do plano industrial.
Sou Stella Ferrari. Como economista sênior, observo este episódio como uma complexa sinfonia de governança, onde o design de políticas internas e a engenharia de pessoal determinarão a aceleração — ou a desaceleração — das prioridades estratégicas do banco.






















