Kevin Warsh foi oficialmente indicado por Donald Trump como próximo presidente da Federal Reserve, anunciou o presidente americano em sua rede social Truth. A escolha, antecipada em bastidores desde 2018 — quando chegou a ser cotado, mas foi preterido em favor de Jerome Powell — volta a colocar no centro do debate um nome com vasta experiência em alta finança e em decisões de política macroeconômica.
Com passagem pelo setor privado e por instâncias decisórias, Kevin Warsh é ex-executivo do mercado financeiro, tendo atuado em instituições como a Morgan Stanley, e foi membro do Conselho de Governadores da Federal Reserve entre 2006 e 2011, período que coincidiu com uma das fases mais críticas para o motor da economia americana. Antes da nova nomeação, Warsh lecionava na Hoover Institution e na Stanford Graduate School of Business.
Nos minutos seguintes ao anúncio não houve volatilidade abrupta nos mercados: as praças europeias seguiram em terreno positivo — com FTSE MIB e DAX subindo cerca de um ponto — e o dólar manteve-se fraco, com o euro cotado a 1,20. Ainda assim, a escolha tem leitura direta sobre as próximas diretrizes de política monetária nos EUA.
Historicamente crítico às políticas monetárias expansivas adotadas pela Fed após a crise de 2008, Warsh é visto por analistas como um nome de perfil mais conservador — um “falcão” em terminologia de mercados —, o que sugere uma predisposição à disciplina monetária. Ao mesmo tempo, fontes próximas à Casa Branca apontam que, recentemente, o economista parece ter alinhado posições com o Executivo, numa convergência que pode influenciar a calibragem de juros pedida por Trump.
O presidente tem enfatizado publicamente a necessidade de taxas de juros muito baixas — “os mais baixos do mundo”, em declaração recente — argumento que favorece investimentos e crescimento de curto prazo, mas que pode pressionar o controle da inflação. No terceiro trimestre de 2025, a inflação americana marcou 2,8%, após uma queda brusca no trimestre anterior, o que mantém o tema como um ponto sensível para consumidores e investidores.
Adicionalmente, a incerteza cambial e tensões geopolíticas têm impulsionado movimentos nos mercados de ativos de refúgio: relatos recentes apontam ouro em recorde histórico a US$5.000/oz (+62% em 12 meses), prata a US$106/oz (+212%) e platina a US$2.800/oz (+166%). Esses deslocamentos ressaltam o risco de um dólar mais fraco se traduzir em pressões inflacionárias e demandas por resposta monetária clara por parte da Federal Reserve.
Em termos práticos, a nomeação de Kevin Warsh coloca sob os holofotes a interação entre independência do banco central e objetivos de política fiscal da administração. A rigor, a nova presidência exigirá a precisa calibragem dos instrumentos de política — uma combinação de sinais claros ao mercado, gestão dos “freios fiscais” quando necessário, e leitura fina dos trade-offs entre crescimento e estabilidade de preços.
Como estrategista, observo que a escolha de Warsh combina credenciais técnicas com um perfil que pode dialogar com o setor privado e com o Executivo. O desafio será manter a credibilidade da Fed enquanto responde às exigências de uma economia que demanda tanto aceleração quanto ancoragem de expectativas. Em suma: é um motor que precisará de ajuste fino para acelerar sem perder tração.






















