Por Chiara Lombardi — Em meio ao reencontro entre memória televisiva e disputa midiática, Ludmilla Radchenko decidiu romper o silêncio. A ex‑letterina, hoje reconhecida artista com obras espalhadas internacionalmente, respondeu publicamente às acusações recentes de Fabrizio Corona que envolveram o apresentador Gerry Scotti e as Letterine, período em que participavam do programa Passaparola na Canale 5.
Nas suas Instagram Stories, Ludmilla não apenas reafirmou sua admiração por Scotti — “Toccatemi tutto, ma non Gerry. Nella mia memoria rimane un grande uomo d’onore. Fiera di aver lavorato al tuo fianco” — como também publicou uma sequência de capturas de tela de conversas privadas com Corona. O objetivo foi claro: contextualizar e desarmar a narrativa veloz que vem circulando.
Entre as mensagens reveladas, aparece a tentativa inicial de Corona de contatá‑la para marcar um encontro. A resposta da artista, com ironia contida, foi: “Non di arte immagino”. A conversa evolui — e aqui a semiótica do viral se mostra num gesto bruto de provocação: Corona escreve que “Nessuno si ricorda di te, è una nuova generazione”, sugerindo que ela estaria esquecida, ainda que ao mesmo tempo oferecendo uma suposta “oportunidade de relançamento”.
Mensagem atribuída a Fabrizio Corona: “Nessuno si ricorda di te, è una nuova generazione”.
A reação de Ludmilla foi seca e exemplarmente definitiva: um comentário junto ao print questionando “Ma rilancio di che???”, que funciona como um refrão de rejeição ao jogo sujo da carreira feita à custa de escândalo. A ex‑modelo afirmou categoricamente que se sente distante das dinâmicas do “fango” midiático e consolidada na sua trajetória artística — um desfecho que transforma o episódio em um reframe sobre reputação e autonomia.
Num vídeo publicado em seguida, ela reiterou sua defesa de Gerry Scotti: “Posso confirmar que não vi nem vivi nada do que Corona acusa. A atmosfera durante minha experiência em Passaparola era limpa. Gerry sempre representou para mim a imagem de um homem íntegro, um grande profissional, extremamente respeitoso — era e continua sendo nosso mito.”
O confronto público entre as versões — a do ex‑paparazzo que busca redesenhar episódios de bastidor e a da protagonista que reclama por sua história pessoal — revela mais que uma disputa pessoal. É um pequeno espelho do nosso tempo, onde a narrativa viral tenta reescrever memórias coletivas e a difusão de screenshots assume o papel de prova e de arma, ao mesmo tempo. A atitude de Ludmilla, ao publicar mensagens que mostram tom e intenção, não apenas protege uma reputação, mas também propõe uma contra‑estética: a do silêncio produtivo e da criação artística como resposta.
Em suma, neste capítulo do folclore mediático italiano, a palavra final de Ludmilla soa como a cena final de um filme curto mas denso: não há espaço para calúnia se o cenário vivido foi, como ela define, uma atmosfera pulita. E, para o público que observa, resta a lição de sempre questionar quem narra e com que intenção — o roteiro oculto da sociedade, às vezes, se revela justamente nas mensagens que se pensavam privadas.
Atualizado em 30 de janeiro de 2026.





















