Por Stella Ferrari — Em mais um dia de sinais contrastantes pelos mercados globais, a nomeação de Kevin Warsh como o próximo presidente da Fed atuou como catalisador para uma correção em Wall Street, enquanto as principais praças europeias operaram em terreno positivo. A movimentação reflete a recalibração dos investidores sobre a trajetória da política monetária e o impacto na rentabilidade das empresas de tecnologia.
No início das negociações americanas, o Dow Jones cedia cerca de 0,8% e o Nasdaq recuava 0,6% após duas horas de pregão. Entre os fatores de pressão está a reação às trimestrais das big tech: o papel da Apple caiu aproximadamente 0,6% após divulgação de resultados, e a Microsoft seguiu em baixa, ainda sob o efeito do tombo de ontem de cerca de 10%.
Contrariamente aos EUA, todas as bolsas europeias fecharam no azul. Os destaques foram Milão com alta de 1%, Frankfurt com +0,94%, Paris com +0,68% e Londres com +0,51%. Esse deslocamento sugere que o “motor da economia” europeu, por ora, absorve com moderação a notícia da Fed, enquanto setores cíclicos e financeiros se mostram mais resilientes.
O episódio mais brusco veio no mercado de commodities: ouro e prata sofreram uma correção acentuada após sequência de recordes. O ouro foi negociado em torno de 5.000 dólares por onça, com perda próxima a 500 dólares desde a abertura do pregão anterior. A prata registrou um recuo próximo de 20%, negociada a 92 dólares, ainda que sua valorização em 12 meses alcance algo em torno de 200% — um movimento que agora apresenta forte volatilidade.
O episódio ilustra a dinâmica de “aceleração e freios” que caracteriza os mercados de ativos: após corrida de alta intensa, a calibragem de juros e a tomada de lucro provocam correções abruptas. Investidores que buscavam proteção em metais preciosos foram surpreendidos pela velocidade da correção.
O petróleo permaneceu em níveis elevados, influenciado por preocupações geopolíticas, sobretudo pela possibilidade de um ataque ao Irã. O Brent estabilizou perto de 70 dólares por barril, sustentado tanto por riscos de oferta quanto pela demanda ainda firme em segmentos globais.
Do ponto de vista estratégico, a nomeação de Kevin Warsh adiciona um elemento de incerteza sobre o ritmo futuro da política monetária: mercados reavaliam o timing da calibragem de juros e a possível necessidade de maiores “freios fiscais” em cenários de inflação resiliente. Para gestores e conselhos de administração, a recomendação é manter disciplina de risco e liquidez, aproveitando volatilidades para reposicionamento tático.
Em suma, o dia mostrou mercados com tensões assimétricas: queda em Wall Street reorientando expectativas, alta na Europa sustentada por fundamentos locais e uma correção severa em metais preciosos após rali expressivo. O panorama exige atenção redobrada à gestão de portfólio — pensar como quem projeta um motor de alta performance, com ajustes finos e visão de longo prazo.






















