Por Stella Ferrari — A agência S&P Global Ratings confirmou hoje o rating da Itália em BBB+ e elevou o outlook para positivo. No comunicado, a agência afirma que as perspectivas positivas refletem sua expectativa de que, apesar da incerteza persistente no comércio internacional, o setor privado continuará a sustentar os superávits das contas correntes, enquanto o setor público deverá reduzir gradualmente o seu endividamento líquido, colocando a dívida em uma lenta trajetória descendente até 2028.
A avaliação da S&P destaca que a economia italiana, incluindo o mercado de trabalho, demonstrou resiliência frente à incerteza comercial e tarifária. Segundo a agência, os superávits líquidos das contas correntes vêm apoiando a riqueza privada e contribuindo para melhorias contínuas na posição credora externa líquida do País.
No front fiscal, a agência observa que o consolidação orçamentária está progredindo de forma gradual. A previsão é de que o déficit nominal caia para abaixo de 3% do PIB em 2026, e que os ajustes de fluxo de caixa relacionados ao Superbonus estejam diminuindo, aliviando pressões temporárias sobre as contas públicas.
Do ponto de vista estratégico, a leitura da S&P sinaliza que a combinação entre um setor privado sólido e medidas fiscais disciplinadas começa a funcionar como um motor de estabilização: a riqueza gerada pelos superávits correntes atua como uma fonte de amortecimento, ao mesmo tempo em que a trajetória controlada do endividamento torna o perfil de risco do país menos volátil.
O ministro da Economia, Giancarlo Giorgetti, comentou a decisão afirmando: “La traiettoria di maggiore credibilità verso l’Italia non conosce soste. Il lavoro paga”. Em tradução livre, reforçou a visão de que a Itália está colhendo os frutos de políticas que buscam credibilidade e sustentabilidade fiscal.
Minha avaliação técnica: a confirmação de BBB+ com outlook positivo é uma calibração fina do mercado sobre o estado real das contas públicas e das forças externas que atuam sobre a economia italiana. Em analogia de engenharia, trata-se de uma calibragem do motor macroeconômico — a aceleração vem do setor exportador e do setor privado, enquanto os freios fiscais são aplicados com cautela para não sufocar o crescimento.
Riscos e pontos de atenção permanecem. A incerteza no comércio internacional e eventuais choques de termos de troca podem reduzir os superávits correntes. Além disso, a eficácia e a velocidade da redução do endividamento dependerão de disciplina orçamentária persistente e de reformas que elevem o potencial de crescimento. Em um cenário de juros globais voláteis, a calibragem das políticas monetárias e fiscais será essencial para manter a trajetória positiva.
Para investidores e executivos, a mensagem é clara: a Itália reforçou sua credibilidade junto às agências, mas a transformação em crédito mais barato e em investimentos sustentáveis exige manutenção de políticas coerentes. Como estrategista, vejo a decisão da S&P como um estímulo à continuidade do trabalho de modernização e gestão prudente — um ajuste de alto nível no painel de controle econômico.






















