Luigi Mangione, o jovem acusado de matar Brian Thompson, ex-CEO da divisão de seguros da UnitedHealthcare, não será sujeito à pena capital no processo federal em Nova York. A decisão foi tomada pela juíza federal Margaret Garnett, que arquivou dois dos quatro cargos criminais apresentados contra o réu.
Na prática, a corte reduziu a amplitude das acusações que poderiam servir de fundamento para a imposição da pena de morte. Para os dois cargos remanescentes, a magistrada estabeleceu que a pena máxima possível é o ergastolo sem possibilidade de liberdade condicional, um desfecho que desloca a peça do tabuleiro jurídico de um xeque-mate fatal para um bloqueio de longo prazo, porém sem execução.
A decisão representa uma vitória processual relevante para a defesa de Mangione. Os advogados conseguiram persuadir a corte sobre o ponto jurídico sensível de que o crime de stalking — conforme formulado nas acusações federais — não se qualifica necessariamente como crime violento passível de fundamentar a pena de morte. A defesa também alegou que a insistência em buscar a pena capital teria motivações políticas; argumento que entrou no debate público e jurídico em torno do caso.
Em abril, Pam Bondi havia anunciado que orientara procuradores federais a pedirem a pena de morte para o réu de 27 anos, natural de Baltimore e de origem ítalo-americana. A determinação suscitou forte debate sobre prioridades de política criminal e sobre os alicerces frágeis da argumentação que liga acusações de conotação política a decisões penais extremas.
A juíza Garnett também decidiu admitir como prova no processo o material encontrado na mochila de Mangione no momento da sua detenção. A defesa pleiteara a exclusão desses itens, sustentando que a busca teria sido realizada sem mandato e, portanto, ilegal. O tribunal, todavia, rejeitou esse argumento processual quanto às provas contidas no objeto apreendido.
O réu foi indiciado federalmente em dezembro passado por stalking e homicídio, após o assassinato de Thompson em frente a um hotel no centro de Manhattan. Paralelamente, a promotoria do Estado de Nova York o acusou de homicídio de primeiro grau com finalidade terrorista. Mangione declarou-se inocente de todas as acusações.
Entre os elementos que atraíram a atenção dos investigadores está um manifesto de duas páginas e meia encontrado com o acusado: o texto mencionava explicitamente a UnitedHealthcare, avaliando o porte da companhia, suas receitas, e criticando publicamente as seguradoras por lucrarem com a saúde das pessoas. Autoridades suspeitam que o motivo do ataque possa estar ligado ao tratamento recebido por um parente do acusado que havia adoecido.
Do ponto de vista geopolítico e de política interna, o episódio é sintomático de uma tectônica de poder e narrativa: a pressão por respostas punitivas imediatas — incluindo a reativação da pena capital em determinadas agendas — encontra resistência nos mecanismos judiciais que ainda preservam salvaguardas processuais. Em termos de estratégia jurídica, a retirada da possibilidade de pena de morte redimensiona o campo de jogo e condiciona os próximos movimentos de defesa e acusação a um jogo mais técnico, centrado em provas e qualificadoras criminais.
Enquanto o processo federal avança com as acusações remanescentes e a admissão das provas encontradas, o caso continua a ressoar nas discussões sobre violência política, responsabilização corporativa e os limites da reação estatal em crimes de alto impacto.






















