Por Giuseppe Borgo — Em mais um capítulo que expõe as tensões entre espaços institucionais e discurso público, deputados da oposição interromperam hoje uma conferência prevista sobre remigração na Câmara dos Deputados, ocupando a sala de imprensa e entoando canções históricas de resistência como Bella Ciao e Fischia il Vento.
Ao início da sessão parlamentare, membros do PD, do M5S e de Avs acionaram um apelo urgente à presidência da Câmara para barrar o que qualificaram como um “escândalo”: permitir que grupos com referências a ideologias nazistas e fascistas usassem um espaço institucional para divulgar uma proposta.
Por “motivos de ordem pública”, as conferências de imprensa agendadas na sala foram suspensas, incluindo a apresentação sobre remigração prevista para as 11h30. A direção da sala informou aos presentes que “não há condições” para a realização das coletivas.
Apesar da suspensão, tanto os deputados que ocuparam o espaço quanto os organizadores da conferência permaneceram dentro da sala. Francesco Silvestri, do M5S, declarou: “Restiamo fino a che non saltano tempi tecnici per la conferenza” — ou seja, ficarão até que a logística do evento seja necessariamente inviabilizada.
Do lado de fora, o comitê pela Remigrazione, que deveria apresentar uma proposta de lei de iniciativa popular na sala de imprensa, foi retido no acesso a Montecitorio. Membros do grupo afirmaram: “Ci hanno bloccato, per oggi non ci fanno entrare” — foram impedidos de entrar.
A presidente do Grupo do PD na Câmara, Chiara Braga, resumiu o sentido da ação: “Abbiamo occupato la sala stampa della Camera per impedire che si compisse uno sfregio alle istituzioni”. Braga insistiu que movimentos que se baseiam em ideologias fascistas ou neonazistas, e que enaltecem a violência, não podem encontrar espaço nas instituições nascidas da resistência a essas mesmas ideologias. “Nossa missão é preservar os alicerces da democracia”, afirmou, usando a metáfora que traduz a defesa da república como uma verdadeira construção de direitos.
Braga deixou claro que, se o encontro for reprogramado, o PD está pronto a reagir novamente: “Sì” — eles ocupariam o espaço outra vez — e apelou por uma solução definitiva sobre o uso dos espaços da Câmara para proteger princípios que, segundo ela, deveriam ser compartilhados por todas as forças políticas da república democrática.
Do outro lado, o deputado da Lega, Furgiuele, já manifestou que pretende insistir: “Ci riprovo? Sì” — sinal de que a disputa sobre o acesso e o discurso nas salas do Parlamento está longe de se encerrar.
Como repórter e vigilante da ponte entre as decisões de Roma e a vida dos cidadãos, observo que este episódio revela mais do que uma disputa de espaço: expõe o peso da caneta e o confronto pelos símbolos que moldam a convivência democrática. A arquitetura do voto e dos direitos esbarra, novamente, nas batalhas sobre quem pode falar dentro da casa que representa a República.






















