Por Stella Ferrari — Em sequência aos contatos mantidos com a Comissão Europeia na quarta-feira passada, o assessor de Desenvolvimento Econômico da Lombardia, Guido Guidesi, participou hoje do Tavolo Automotive convocado pelo Ministério das Imprese e do Made in Italy, em Roma. O encontro foi aproveitado por Guidesi para enfatizar a necessidade de uma ação sinérgica que introduza corretivos visando a plena neutralidade tecnológica frente às deliberações que serão apreciadas tanto pelo Conselho da UE quanto pelo Parlamento Europeu.
No seu pronunciamento, Guidesi afirmou que “É preciso mais pragmatismo e menos conferências”, sublinhando que, dadas as dificuldades estruturais do setor, é essencial privilegiar medidas concretas em vez de debates meramente formais. A mensagem é clara: o motor da economia regional não pode ser freado por indecisões políticas quando está em jogo a competitividade industrial.
A Lombardia reiterou o compromisso de continuar a trabalhar em propostas emendadárias para alterar, de forma adicional, o regulamento relativo aos parâmetros de desempenho em matéria de emissões CO2 para novos veículos leves. Esse trabalho técnico será compartilhado com os construtores, os fabricantes de componentes, as instituições, outras regiões europeias e os parlamentares do Parlamento Europeu, numa abordagem de equipe que busca calibrar a política pública com a realidade produtiva.
Como economista e estrategista, enxergo essa iniciativa como uma recalibração necessária do design de políticas: ao propor ajustes pontuais, evita-se tanto aplicar freios fiscais e regulatórios de forma abrupta quanto sacrificar capacidades industriais que são essenciais para a cadeia de valor. Trata-se de uma ação de precisão — mais engenharia do que retórica — para manter a aceleração das tendências de inovação sem paralisar a produção.
O desfecho do pronunciamento de Guidesi foi incisivo: “Acreditamos que essa forma de trabalhar é o único modo de jogar as últimas e pequenas esperanças de salvar a indústria automotiva na Europa, evitando aquilo que seria o maior suicídio econômico da história”. A frase resume o risco percebido: sem ajustes coordenados, a transição tecnológica pode provocar impacto econômico desproporcional.
Em síntese, a proposta da Lombardia combina pragmatismo regulatório, articulação institucional e diálogo direto com a indústria. É uma tentativa de transformar debates em proposições técnicas, seguindo a lógica de performance que guia decisões estratégicas de alto impacto. Se a União Europeia pretende preservar sua base industrial, a combinação entre corretivos regulatórios e trabalho conjunto entre poderes públicos e setor privado será crucial.






















