Por Alessandro Vittorio Romano — BOLOGNA, 30 de janeiro de 2026
O ano de 2025 desenhou-se como um verão longo no mapa das arboviroses italianas, com um recorde de casos de chikungunya confirmados: 469 notificações, contra apenas 17 no ano anterior. Desse total, 384 foram casos autóctones, transmitidos localmente, enquanto 85 estiveram ligados a viagens ao exterior. O surto mais extenso concentrou-se na província de Modena, que registrou 318 casos — todos sintomáticos.
Na respiração cotidiana da cidade de Bologna e seus arredores, as estatísticas também deixaram sinais: no território da Ausl de Bologna foram confirmados cinco casos de chikungunya, dois deles de origem local. Essa presença lembra que o mosaico ambiental e urbano pode, por vezes, transformar-se em palco para vetores e vírus que antes considerávamos distantes.
Quanto à dengue, o ano de 2024 foi excepcional, com mais de 700 casos em nível nacional — um salto em relação aos 11 de 2021. Em 2025, os registros caíram para 217 casos no país; no território da Ausl de Bologna houve nove notificações, sendo três autóctones e seis importadas.
Mas não são apenas a dengue e a chikungunya que marcam o mapa de saúde pública local. A província de Bologna é considerada área endêmica para a Leishmaniose, uma parasitose que, em sua forma visceral, pode ser grave. Entre 2021 e 2025 foram confirmados 128 casos na província: 67 casos viscerais e 61 cutâneos. Nos últimos cinco anos, quase 900 casos de strongiloidíase em forma latente também foram diagnosticados.
O monitoramento do IRCCS Policlinico Sant’Orsola aponta ainda outros achados relevantes: 25 casos de echinococose, 11 de teníase, 280 de esquistossomose e dois casos de Doença de Chagas. Números que lembram a complexidade das conexões entre mobilidade humana, mudanças climáticas e o ritmo da cidade — a verdadeira respiração que molda exposições e riscos.
Como observador dos ciclos que regem o bem-estar, vejo esses dados como uma colheita de sinais: são alertas para fortalecer a vigilância, proteger populações vulneráveis e adaptar hábitos de convivência com o ambiente. Em cada janela aberta, em cada sombra de tarde quente, há um convite a cuidar melhor dos ecossistemas urbanos — e do nosso tempo interno, capaz de modular respostas e resistências.
Para quem vive ou visita a região, a recomendação constante dos serviços de saúde é manter atenção aos sintomas em retorno de viagens, reduzir criadouros de mosquitos e procurar orientação médica diante de febre, dores articulares intensas ou sinais cutâneos persistentes. A prevenção é a estação em que todos podemos colher tranquilidade.
— Alessandro Vittorio Romano, Espresso Italia





















