Por Chiara Lombardi — Em um depoimento que funciona como um espelho do nosso tempo, a atriz Carolina Marconi falou sobre a dolorosa intersecção entre oncologia e maternidade no programa Storie al bivio, apresentado por Monica Setta, cuja edição vai ao ar no dia 31 de janeiro na Rai 2.
Marconi, que é ex-paciente oncológica e venceu um tumor de mama, explicou que precisou interromper o percurso de procriação assistida após dois insucessos: “A primeira gravidez veio de imediato: fiquei grávida no primeiro intento e já tínhamos feito o vídeo, eu e meu companheiro, Alessandro Tulli, estávamos nas nuvens. Mas aquela gestação foi interrompida. Depois perdi outra gravidez”, relatou.
O relato de Carolina traz à tona o que chamo de roteiro oculto da sociedade: a expectativa de um final feliz em cena — a imagem de um casal e um filho — confrontada com os limites impostos pela medicina e pelo risco de recidiva. Ela acrescentou que, por ser paciente em acompanhamento, teve de retomar a terapia hormonal prevista no follow-up, o que inviabilizou uma nova tentativa de fertilização assistida.
“Pedi ao meu oncologista para permitir um terceiro ciclo, mas não foi possível. Existia o risco real de recidiva se eu não retomasse a cura hormonal”, disse. A fratura emocional dessa decisão levou-a a ponderar sobre o relacionamento: “Cheguei a pedir para o meu companheiro me deixar, porque não poderia dar-lhe, provavelmente, o filho que ele tanto desejava”.
A resposta de Alessandro Tulli foi direta e afetiva: “Ele disse que nunca abriria mão de mim”. Esse momento — em que o medo da perda se transforma em promessa de permanência — é um refrão que se repete em muitos cuidados íntimos contemporâneos. Hoje, o casal já conversa sobre um novo capítulo: a adoção.
Ao falar da possibilidade da adoção, Carolina Marconi traça um novo mapa de desejos, não mais centrado apenas na concepção biológica, mas na ideia ampliada de família. É um reframe da realidade que questiona velhas narrativas: a maternidade como destino único e biológico deixa espaço para caminhos igualmente legítimos — legais, afetivos e sociais.
Essa entrevista é mais do que a crônica de uma perda; é uma reflexão sobre as interseções entre saúde, tecnologia reprodutiva e identidade emocional. O drama pessoal de Marconi ecoa como um pequeno filme íntimo, sugerindo que os roteiros que escrevemos para nossas vidas nem sempre coincidem com o que o corpo permite. E ainda assim, há espaço para reinventar o final.






















