Por Alessandro Vittorio Romano – Espresso Italia
O Centro Europeu para a Prevenção e Controle das Doenças (ECDC) avaliou como risco muito baixo a possibilidade de infeção por vírus Nipah entre pessoas provenientes da Europa que viajem ou residam na região do Bengala Ocidental, na Índia, após a notificação de dois casos confirmados na província. A nota do ECDC — que chegou como uma brisa cautelosa sobre a paisagem da saúde pública — relembra que, embora os surtos tenham sido até agora restritos à Ásia, o vírus Nipah possui potencial epidêmico e até pandêmico, por sua capacidade de se espalhar entre humanos e por transmissão envolvendo animais domésticos.
Os dois casos relatados dizem respeito a profissionais de saúde do mesmo hospital, que estiveram em contato entre si no final de dezembro de 2025. Esse vínculo claro entre os casos, segundo o ECDC, sugere um foco limitado e circunscrito, mais parecido com um lampejo do que com um incêndio de grandes proporções. A via mais plausível de introdução do vírus Nipah na Europa seria por meio de viajantes já infectados, mas essa possibilidade é considerada improvável pelas autoridades.
Outro ponto que amortece a preocupação é a ausência, no continente europeu, dos principais reservatórios naturais do agente: os morcegos frugívoros (batídeos) que portam o vírus Nipah em regiões endêmicas. Sem esses vetores naturais presentes na mesma escala, o risco de transmissão secundária após uma eventual importação cai substancialmente, reforçando a avaliação de baixo risco para a população europeia.
Mesmo assim, como observador atento às estações e aos ritmos do corpo coletivo, não posso deixar de notar que as doenças emergentes têm a mesma imprevisibilidade da natureza: brotam onde há contato, descompasso ou descuido. O ECDC recomenda vigilância clínica e notificação rápida de casos suspeitos, especialmente entre profissionais de saúde e viajantes que retornem de áreas afetadas. Essas medidas funcionam como barreiras, como se estivéssemos cultivando linhas de defesa ao redor de um pomar para proteger a colheita.
Na prática cotidiana, isso significa manter protocolos de proteção individual, triagem em pontos de entrada e atenção reforçada nos serviços de saúde — cuidados que não são alarmismo, mas sim a respiração calma e organizada de um sistema que quer preservar a saúde coletiva. Para nós que vivemos a Itália como experiência sensorial, a notícia serve como lembrete: cuidar do ambiente e das rotinas é também cuidar do nosso tempo interno, da saúde que floresce no leito das pequenas atitudes.
Por ora, o cenário apontado pelo ECDC é de tranquilidade relativa para a Europa, mas com olhos abertos e instrumentos prontos para responder. A natureza nos ensina que a vigilância e o respeito aos seus ritmos são as melhores práticas para que possamos continuar vivendo bem, sem perder a serenidade diante do inesperado.
Assinado: Alessandro Vittorio Romano, a voz de saúde, clima e estilo de vida da Espresso Italia.






















