APURAÇÃO IN LOCO — A cidade de Niscemi, na Sicília, vive uma emergência humanitária e estrutural após um gigantesco deslizamento que afetou a colina onde parte do centro urbano está assentado. Um lençol branco com os dizeres “Niscemi rialzati” foi afixado na fachada de um prédio que dá vista para a praça principal, símbolo do apelo coletivo diante da gravidade dos fatos.
O impacto do movimento de massa, estimado em extensão de cerca de quatro quilômetros, deixou boa parte dos bairros interditados e transformou ruas e casas em cenários de incerteza. Em frente à prefeitura se sucedem reuniões institucionais, enquanto a comunidade recorre à fé: a imagem da padroeira, a Madonna do Bosco, foi retirada do santuário e levada em procissão até a igreja local. O prefeito, Massimiliano Conti, participou das orações.
O quadro local é de cidade fantasma. Parte significativa das residências foi cercada com fitas e acessos controlados — os moradores só podem entrar acompanhados por forças de segurança para recolher poucos pertences. Em minutos precisam colocar em bolsas e malas o essencial e lembranças de uma vida. Muitos sabem que não retornarão às suas casas, condenadas à demolição.
Os números confirmados pelo cruzamento de fontes apontam mais de 1.500 desabrigados, cujos imóveis se encontram na chamada zona vermelha, incluindo três escolas. O palazzetto dello sport “Pio La Torre” foi convertido em centro de acolhimento: brandares e cozinhas improvisadas foram instaladas às pressas. Cerca de setenta voluntários, vindos também de municípios vizinhos, participam da recepção e do apoio.
“Nei momenti di difficoltà, il cuore dei siciliani esplode” — declara Franco Gioitta, diretor sanitário da Misericórdia de Niscemi e ortopedista aposentado. Segundo ele, no centro os deslocados encontram pernoite, refeições quentes e assistência emocional. Em dois dias cerca de oitenta pessoas procuraram o abrigo; há crianças, gestantes e idosos.
Os relatos pessoais ilustram a dimensão da perda. Maria D’Alessandro afirma: “Não me restou nada. Durmo no centro de acolhimento. Não sei para onde ir. Perdi a minha serenidade”. Seu automóvel ficou preso na garagem de uma residência que ameaça desabar. Uma jovem família, casada há quatro anos, vê a casa no bairro Sante Croci suspensa sobre o vazio. Alberto Valenti veio de Brescia ao saber que sua moradia foi incluída na longa lista de imóveis inabitáveis.
Enquanto a população guarda malas prontas para uma nova saída, helicópteros da Proteção Civil e dos bombeiros sobrevoam continuamente a encosta para monitorar movimentos e prevenir novos colapsos. Há um fluxo constante de equipes em uniforme — policiais, agentes da defesa civil e associações humanitárias — que organizam abrigos e assistência de emergência.
O apelo dos moradores é direto e urgente: intervenções imediatas das instituições para evitar o isolamento e garantir alojamento e suporte. A realidade traduzida em fatos brutos exige respostas técnicas e logística para evacuação, verificação de riscos e reconstrução — um desafio que já mobiliza autoridades locais e regionais.






















