Por Marco Severini — Fontes israelenses e norte-americanas colocam no tabuleiro um movimento de alto risco: o quotidiano israelense Maariv relata que o presidente Trump pode ordenar um ataque ao Irã nas próximas horas ou dias. Segundo a mesma fonte, Israel já se prepara tanto para se defender quanto para conduzir ações ofensivas contra o Irã e seus aliados regionais.
Em declaração pública, o próprio presidente Trump afirmou ter falado com representantes iranianos nos últimos dias e manifestou a intenção de manter o contato: “Ho parlato e ho intenzione di farlo di nuovo“, disse ele durante a exibição do documentário de sua esposa no Kennedy Center. Complementou que “temos muitas embarcações poderosas a caminho do Irã neste momento, e seria fantástico se não precisássemos usá‑las”.
Ao ser questionado sobre a mensagem dirigida a Teerã, Trump sintetizou: “Duas coisas: ‘Não ao nuclear’ e ‘Parem de matar manifestantes'”. A frase sintetiza objetivos políticos e simbólicos que, segundo interlocutores, motivam a pressão atual.
Fontes do New York Times acrescentam que a Casa Branca apresentou ao presidente opções militares ampliadas, com o objetivo de infligir danos adicionais aos programas nucleares e balísticos da República Islâmica e de enfraquecer a autoridade do líder supremo, o aiatolá Ali Khamenei. Entre as alternativas em análise estão até incursões limitadas de tropas norte‑americanas contra instalações dentro do Irã, embora não haja ainda decisão final sobre a execução de um ataque.
Analistas do Pentágono e do Departamento de Estado descrevem a abordagem como semelhante à adotada em outros teatros recentes: concentração de forças na periferia, aumento da pressão diplomática e a ameaça explícita de ação militar como meio de forçar concessões do regime alvo. Esse jogo de coerção reproduz, em chave diferente, a lógica do que se observou em crises anteriores, exigindo um cálculo frio sobre riscos de escalada.
Do ponto de vista estratégico, a situação configura um episódio de tensão cuja importância excede a retórica. A mobilização de navios e opções de alcance interno ao Irã redesenha, ainda que temporariamente, linhas de influência no Oriente Médio. Israel, enquanto aliado regional com capacidades e interesses próprios, aparece pronto para intervir ou neutralizar ameaças, o que cria um entrelaçamento de decisões que pode acelerar ou conter um confronto.
Como analista, vejo neste momento um “movimento decisivo no tabuleiro”: Washington procura combinar ferramentas navais, opções de ação sobre infraestruturas sensíveis e pressão diplomática para alcançar objetivos técnicos (deter programas nucleares e de mísseis) e políticos (minar a autoridade de Ali Khamenei). Mas há um custo evidente — a possibilidade de uma resposta escalonada por proxies regionais ou pela própria República Islâmica.
Em suma, os próximos dias serão cruciais. A tectônica de poder na região pode sofrer um redesenho silencioso ou transbordar em conflito aberto. A prudência diplomática, aliada a um entendimento claro dos limites operacionais, permanece o alicerce mais seguro para evitar que uma jogada calculada se transforme em catástrofe.






















