Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia
O Governo decidiu eliminar do decreto Pnrr, em exame no Consiglio dei Ministri, a norma que teria criado um verdadeiro escudo para os empregadores condenados por reconhecimentos de salários incompatíveis com a Constituição. Fontes do Executivo confirmam que a exclusão da disposição ocorreu após um confronto com o Quirinale. As mesmas fontes sublinham que a regra “não era no provvedimento apresentado in Cdm”.
Na versão anterior do projeto, segundo a relação ilustrativa da minuta, o artigo 18 previa um mecanismo de salvaguarda para os datori di lavoro. Em termos práticos, essa proteção estabelecia que, caso o juiz, em qualquer instância do processo, constatasse a não conformidade do trattamento retributivo com o articolo 36 da Constituição — levando em conta produtividade e índices do custo de vida do Istat — o empregador ficaria protegido: não poderia ser condenado ao pagamento de diferenças salariais ou contributivas vencidas antes do depósito do recurso que iniciou a ação.
Traduzindo para a vida cotidiana dos trabalhadores: a regra pretendia limitar a responsabilização de empresas que pagaram menos do que a Carta Magna exige, poupando-os de reembolsos retroativos, desde que a exigência salarial só tivesse sido judicialmente contestada após um certo marco processual. Para o conjunto de trabalhadores e para os operadores jurídicos que atuam em defesa dos direitos laborais, a norma configuraria uma espécie de barreira burocrática ao acesso efetivo às diferenças salariais acumuladas.
O episódio revela a tensão entre a arquitetura das decisões públicas — as prioridades do Pnrr — e o peso da caneta sobre direitos trabalhistas: uma disposição técnica, redigida para tutelar agentes econômicos, poderia transformar-se em obstáculo concreto para quem busca a reparação de salários e contribuições atrasadas. A intervenção do Quirinale e a retirada da norma indicam não apenas uma mudança de curso, mas também uma abertura à pressão institucional sobre as salvaguardas legais que impactam trabalhadores vulneráveis.
Embora a exclusão do dispositivo coloque um freio imediato ao que se poderia chamar de proteção ex post aos empregadores, ficam perguntas relevantes: como o Governo pretende harmonizar a necessidade de incentivo à atividade econômica com a defesa irrestrita dos direitos constitucionais dos trabalhadores? Haverá alternativas legislativas para esclarecer prazos processuais e garantias procedimentais sem tolher as possibilidades de reparação para os assalariados?
Como repórter que acompanha a construção dos direitos e o funcionamento do Estado, é preciso acompanhar os próximos passos no Consiglio dei Ministri, a redação final do decreto Pnrr e eventuais emendas parlamentares. A decisão de retirar a norma mostra que a arquitetura da lei ainda está em obra: resta ver se irão reforçar os alicerces da proteção social ou se tentarão novamente erguer soluções que, na prática, derrubem pontes de acesso à justiça para os lavoratori sottopagati.
Continuarei a monitorar comunicação oficial, documentos de governo e movimentações parlamentares para informar com clareza, responsabilidade e utilidade pública — mantendo a ponte entre o poder e os cidadãos.






















