Em encontro com a imprensa promovido pela GSK em Milão, o hematologista Francesco Passamonti, diretor da estrutura complexa de Hematologia da Fondazione IRCCS Ca’ Granda Ospedale Maggiore Policlinico e professor da Universidade de Milão, descreveu o momelotinib como um verdadeiro pilar na abordagem terapêutica da mielofibrose.
Segundo Passamonti, “Momelotinib si pone come un farmaco cardine nella terapia della mielofibrosi e anche come bridge al trapianto di midollo osseo allogenico“, ou seja, além de controlar aspectos da doença, o medicamento pode funcionar como uma ponte para o transplante de medula óssea alogênico. “Se um paciente se apresenta com um fenótipo clínico mais anêmico, a possibilidade de melhorar a hemoglobina significa chegar ao transplante em um nível de fitness melhor”, explicou o especialista.
Em linguagem menos técnica, Passamonti evocou a imagem de uma cidade que respira com mais facilidade quando as ruas estão limpas: assim como pequenas mudanças no ambiente permitem um movimento mais fluido, a melhoria nos parâmetros sanguíneos pode devolver ao paciente melhores condições para procedimentos decisivos como o transplante.
É importante destacar que o momelotinib é referido como o último JAK inibidor a integrar o arsenal terapêutico para a mielofibrose. Em conferências e debates clínicos, a atenção recai não apenas sobre a redução do baço e o controle de sintomas, mas também sobre a resposta hematológica — em particular a correção da anemia — que influencia diretamente a capacidade do paciente de suportar terapias mais intensas.
Como guia sensível às estações do corpo humano, considero essa possibilidade como uma pequena primavera interna: a colheita de hábitos terapêuticos que permite ao organismo reencontrar forças antes do grande passo, que é o transplante. Para muitos pacientes, alcançar um patamar de hemoglobina mais vantajoso não é apenas uma estatística clínica — é recuperar fôlego para a próxima etapa do tratamento.
O encontro promovido pela GSK em Milão serviu para discutir essas oportunidades e benefícios das novas terapias, ressaltando a importância de combinar inovação farmacológica com avaliação cuidadosa do fitness clínico do paciente. Passamonti reafirmou a ideia de que intervenções que melhorem o estado geral hematológico podem transformar o caminho até o transplante, reduzindo riscos e ampliando candidaturas a procedimentos potencialmente curativos.
Na prática clínica, isso significa observar o paciente como uma paisagem que muda: pequenos brotos de recuperação na hemoglobina indicam um solo mais fértil para as decisões terapêuticas subsequentes. O papel do médico é, então, compor essa colheita com prudência e sensibilidade, alinhando o momento do transplante ao melhor momento do corpo.
Em conclusão, as palavras de Passamonti colocam o momelotinib não só como mais uma droga no catálogo, mas como uma ferramenta estratégica — uma ponte que pode levar pacientes com mielofibrose a um transplante de medula em melhores condições. A conversa em Milão reacende a esperança de que a combinação entre terapias inovadoras e um olhar clínico atento transforme o cuidado em resultados concretos para quem enfrenta essa doença.






















