Trieste — Contra o declínio motoro e cognitivo que acompanha o envelhecimento, uma pesquisa italiana aponta caminhos promissores: protocolos de reabilitação que unem movimento, estimulação mental e tecnologia imersiva. Conduzido pela Universidade de Trieste em parceria com a instituição pública de cuidados Itis e o curso de Fisioterapia, o estudo comparou abordagens inovadoras para favorecer um envelhecimento ativo e maior autonomia funcional.
O projeto, cofinanciado pelas Fondazioni Morpurgo e Casali Ets, envolveu 45 participantes com mais de 65 anos, aleatoriamente distribuídos em dois grupos. Um grupo seguiu um protocolo de exercício dual task — ou seja, atividades físicas combinadas com exercícios cognitivos realizados simultaneamente — e o outro grupo realizou sessões que integraram exercícios físicos a recursos de realidade virtual e aumentada. Em ambos os braços do estudo foram realizadas 24 sessões estruturadas.
Os pesquisadores observaram que tanto a combinação de treino motor com estimulação cognitiva quanto a inclusão de tecnologias imersivas puderam produzir melhorias relevantes nas capacidades funcionais dos participantes. Segundo a equipe, os resultados indicam ganhos na marcha, no equilíbrio e na performance em tarefas que exigem atenção dividida — domínios críticos para a manutenção da independência na vida diária.
Com o olhar de quem percebe o corpo como uma paisagem em transformação, gosto de pensar nesses protocolos como uma forma de replantar hábitos no solo das nossas rotinas: a fisioterapia tradicional renasce ao encontrar a sensorialidade da realidade virtual, e o corpo reaprende caminhos antigos com mapas digitais que convidam à prática.
Do ponto de vista prático, a experiência reforça duas ideias complementares. A primeira é que o treino combinado — o chamado dual task — estimula circuitos motores e cognitivos de maneira integrada, como se estivéssemos treinando a respiração da cidade e o ritmo interno do corpo ao mesmo tempo. A segunda é que a tecnologia, quando bem aplicada, funciona como uma paleta de estímulos que torna o exercício mais envolvente, seguro e replicável em contexto clínico.
Embora ainda sejam necessárias fases posteriores de investigação para detalhar quais componentes específicos são mais eficazes em cada perfil de paciente, o estudo de Trieste acrescenta evidências importantes sobre a utilidade de protocolos híbridos — uma colheita de práticas que pode ampliar as estratégias de reabilitação para a população idosa.
Como observador atento do cotidiano italiano, vejo aqui uma lição de estilo de vida: preservar a autonomia na maturidade é também um exercício de afeto pelo próprio corpo. Investir em protocolos que combinam movimento, desafio cognitivo e estímulos sensoriais é semear bem-estar para colher independência.
Os próximos passos apontam para estudos com amostras maiores, acompanhamento longitudinal e avaliação de custo-benefício para a adoção em larga escala nas estruturas de cuidado. Até lá, fica o convite para profissionais e cuidadores considerarem a integração entre fisioterapia e realidade virtual como uma via para cultivar um envelhecimento mais ativo e com mais autonomia.






















