Por Stella Ferrari — Seduta marcada por nervosismo nos mercados internacionais: os índices americanos fecharam em baixa, com destaque para o Nasdaq, que cedeu cerca de 2% após o forte recuo das ações da Microsoft, que despencaram aproximadamente 12% na esteira de resultados e previsões sobre retornos em cloud considerados aquém do esperado pelo mercado.
O tom negativo de Wall Street foi rapidamente transmitido às praças europeias. Apesar de Londres e Paris terem encerrado levemente acima da paridade — +0,10% e +0,06%, respectivamente —, a sessão em Milão e Frankfurt sofreu pressões distintas: o índice italiano caiu 0,17%, enquanto a bolsa alemã registrou queda mais expressiva de 1,99%, arrastada pelo tombo do gigante tecnológico SAP, cujas projeções de receitas desapontaram investidores e penalizaram o setor em cerca de 16%.
Do lado das commodities, observou-se um movimento de realização de lucros nos metais preciosos após novos picos pela manhã. O ouro recuou de US$ 5.500 para US$ 5.250 por onça, enquanto a prata caiu de US$ 119 para US$ 112. Esse ajuste demonstra que, mesmo em um contexto de incerteza geopolítica, fluxos de curto prazo podem reduzir a intensidade de posições especulativas em metais.
Em contrapartida, os preços do petróleo avançaram de forma significativa. O Brent beirou US$ 70 por barril, em alta de 3,4%, impulsionado por notícias de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, estaria considerando a possibilidade de lançar ataques militares em larga escala contra o Irã. A leitura do mercado foi imediata: um risco geopolítico que eleva o prêmio de risco da oferta tende a acelerar a valorização do petróleo.
Interpretando esses sinais com a visão de quem acompanha o motor da economia global, vemos duas forças em jogo: uma freada nos ativos de tecnologia, por reprecificação de expectativas de crescimento e retorno em nuvem, e uma aceleração nos preços de energia por risco geopolítico. É a combinação de uma calibragem de expectativas corporativas com o redesenho instantâneo do prêmio de risco em commodities.
Para gestores e investidores institucionais, a lição é de disciplina: revisitar a exposição a megacaps de tecnologia após resultados que recalibram projeções, enquanto se avalia a sensibilidade do portfólio a choques no preço do petróleo. Em termos práticos, trata-se de ajustar a transmissão de risco — como se estivéssemos afinando a suspensão de um carro de alta performance para manter controle, sem perder a capacidade de aceleração quando as condições mudam.
Concluo que os próximos dias serão determinantes para verificar se a reação é um ajuste pontual ou o início de uma tendência mais duradoura. A atenção deve permanecer nas comunicações das empresas de tecnologia, nos indicadores macro dos EUA e na evolução da situação geopolítica no Oriente Médio.
Stella Ferrari — Economista sênior, Espresso Italia






















