Na noite de quarta-feira, 28 de janeiro, o confronto pelos espectadores repetiu a velha dinâmica do entretenimento como espelho do nosso tempo: emoção ficcional contra programas de grande apelo popular. Em primeiro lugar na disputa da prime time, Canale 5 emplacou Una Nuova Vita, protagonizada por Anna Valle, que reuniu 2.990.000 telespectadores e marcou 18,7% de share. À sua retaguarda, a Rai1 exibiu Morbo K – Chi salva una vita, salva il mondo intero, que obteve 2.519.000 espectadores e 14,5% de share.
No mosaico das audiências, programas de factual e jornalísticos também mostraram força. Chi l’ha Visto? (Rai3) manteve 1.317.000 espectadores com 7,9% de share, enquanto a reprise de Una Giornata Particolare, com Aldo Cazzullo na La7, teve média de 1.034.000 espectadores e 5,7% de share. A Rai2, com o filme Ricatto d’amore, foi vista por 880.000 pessoas (4,7%), e Italia1, levando ao ar a edição de Le Iene com o segmento Inside, alcançou 834.000 espectadores (6,3%). Rete4, com o debate Realpolitik apresentado por Tommaso Labate, somou 481.000 espectadores e 3,6% de share.
Mas o dado que saltou como um corte de cena no prelúdio do horário nobre aconteceu no access prime time. O tradicional jogo dos prêmios Affari Tuoi registrou 4.966.000 espectadores, alcançando 23,3% — um resultado que, segundo a manchete do dia, dá a vitória a De Martino sobre Scotti. Do outro lado, La Ruota della Fortuna (Canale 5) teve 4.889.000 espectadores, com share de 23,1%. A diferença foi técnica, num placar que revela mais nuances do que aparenta: uma fração de ponto que pode sinalizar preferências de formato, carisma de apresentador ou simples hábito de audiência.
Do ponto de vista cultural, esses números contam uma história dupla. Por um lado, a boa performance de Una Nuova Vita confirma a longevidade da narrativa dramatizada como dispositivo de identificação — a série funciona como um roteiro oculto da sociedade que busca espelhos de emoção e memória. Por outro, a resistência dos programas diurnos e de entretenimento reafirma a centralidade do formato leve e interativo na construção da rotina televisiva: é o reframe da realidade cotidiana que muitos espectadores procuram ao final do dia.
Em termos de tendências, a presença estável de programas jornalísticos e de investigação como Chi l’ha Visto? aponta para um público atento a conteúdos que combinam informação e storytelling. Já a repartição do share entre os canais comerciais e a pública segue refletindo o panorama europeu da televisão: pluralidade de oferta e fragmentação de públicos.
Em resumo, o 28 de janeiro desenhou um mapa de consumo televisivo onde a ficção com Anna Valle manteve a liderança da noite, enquanto o access reservou a pequena vitória — e o significado simbólico — a Affari Tuoi. São números que, lidos com cuidado, funcionam como um espelho do nosso tempo e um indicador das pequenas revoluções silenciosas no gosto dos espectadores.





















