Angelo Camilli, vice-presidente da Confindustria para Crédito, Finanças e Fiscalidade, definiu como estratégica a parceria assinada com a Cassa Depositi e Prestiti (Cdp) durante a etapa em Turim do road show ‘Insieme per il futuro delle imprese’. Em discurso técnico e direto, Camilli vinculou o acordo à necessidade de sustentar investimentos, o desenvolvimento industrial e a coesão social, com ênfase particular na questão da habitação.
Na avaliação do dirigente, o pilar relativo ao habitar sustentável inserido no protocolo não é um adendo: constitui condição indispensável para o futuro das empresas e do país. Camilli explicitou a conexão entre oferta habitacional e dinâmica produtiva: a atual emergência habitativa é um fator crítico com implicações sociais e econômicas. Sem alojamentos a custos sustentáveis, as empresas enfrentam dificuldades para recrutar trabalhadores, e a competitividade nacional se deteriora.
Camilli saudou o lançamento do Piano Casa Italia pelo governo como um passo na direção correta. O anúncio de 100 mil alojamentos a preços controlados na próxima década foi qualificado como relevante, mas o vice-presidente alertou para a necessidade de execução rápida e concreta. Segundo ele, o sucesso do plano depende do envolvimento efetivo dos operadores econômicos e das empresas do setor imobiliário e da construção.
O discurso destacou ainda o impacto estrutural da escassez de habitação acessível: a limitação da mobilidade territorial, o aumento do mismatch entre oferta e procura de trabalho e o freio ao crescimento em um país que já registra declínio demográfico e dificuldades persistentes na obtenção de mão de obra qualificada. Camilli sublinhou que essas dimensões não são conjunturais, mas transformam-se em entraves duradouros à competitividade industrial.
Para acelerar resultados, o vice-presidente indicou um conjunto de medidas concretas: além da mobilização de recursos públicos e do papel dos investidores privados, são indispensáveis linhas de garantia, incentivos fiscais favoráveis e, especialmente, simplificações urbanísticas. Essas medidas visam permitir o rápido recupero e a mudança de uso de imobiliários destinados a trabalhadores, jovens e estudantes.
Camilli foi categórico: sem essas alavancas — garantias, benefícios fiscais e desburocratização urbanística — o Piano corre o risco de não atingir a velocidade necessária para aliviar a crise habitacional e, por consequência, não cumprir sua função de estímulo à economia e ao mercado de trabalho.
Em síntese, a mensagem central transmitida na tappa torinesa do road show foi técnica e programática: o protocolo com a Cdp representa um instrumento estratégico, mas sua eficácia dependerá da conjugação entre compromisso público, participação privada e reformas administrativas que acelerem intervenções no território. O diagnóstico e as recomendações apresentados refletem uma leitura pragmática do efeito das políticas de habitação sobre a capacidade produtiva do país.






















