Em uma conversa no programa La volta buona, apresentado por Caterina Balivo, Loredana Lecciso voltou a se posicionar sobre as críticas que recebe nas redes sociais. Companheira de Al Bano, ela afirmou que continua sendo alvo de ataques motivados por uma nostalgia persistente de parte do público pela histórica dupla Al Bano e Romina.
Segundo Loredana Lecciso, muitos comentários maldosos nas plataformas digitais nascem do desejo de alguns espectadores de reviver um passado que, na prática, não existe mais: “Muitos despejam em mim ódio nas redes porque são nostálgicos do casal. Gostariam de impor seus desejos nostálgicos que não encontram correspondência na realidade depois de 25 anos”, ela explicou no programa.
O que chama atenção na fala de Loredana Lecciso — e que revela um aspecto curioso do cenário digital — é a idade de quem comenta com raiva. Ela confidenciou sentir especial dor ao ver senhoras, às vezes já avós, deixando mensagens duras: “Abro as redes e leio as críticas, fico triste e amargurada quando vejo senhoras, talvez com netinhos, escrevendo coisas muito duras. Nem ouso imaginar minha mãe escrevendo nas redes coisas tão cruéis”.
Apesar das investidas, Loredana afirma responder sempre com educação — um gesto que ela atribui aos ensinamentos do pai: “As redes não poupam ninguém; eu respondo com muita educação e respeito, meu pai me ensinou assim”. Essa postura revela mais do que etiqueta pessoal: é uma escolha estratégica e simbólica num tempo em que o tom nas plataformas pode rapidamente transformar discussões em linchamentos virtuais.
Como analista cultural, eu vejo essa reação como um espelho do nosso tempo. A fixação por Al Bano e Romina funciona como um roteiro afetivo que muita gente insiste em reencenar — um eco cultural que não aceita que a vida pública e privada sigam caminhos distintos. A nostalgia, nesse sentido, opera como lente que refrata a memória coletiva, muitas vezes apagando as nuances e exigindo simplicidade emocional: um casal icônico que se transforma em símbolo intangível.
Há também uma semiótica do viral em ação: a rede amplifica ressentimentos latentes, transforma saudade em agressão e expõe contradições geracionais. O fato de comentários tão ásperos virem de pessoas mais velhas — aquelas que teoricamente carregariam memórias afetivas do duo — nos lembra que a memória pública é uma construção em disputa, sujeita a revisions e ressentimentos.
Por fim, a postura de Loredana Lecciso — responder com educação, sem se furtar ao confronto — sugere um reframe da realidade: em vez de reagir no mesmo tom, ela escolhe reafirmar dignidade e respeito. Essa escolha é também uma pequena resistência cultural contra a cultura do cancelamento e do ataque fácil, uma tentativa de resgatar a polifonia no debate público, ainda que o ruído das redes insista em simplificar narrativas.
Num cenário de transformação constante, a história de Loredana com as redes é um lembrete de como o entretenimento nunca é apenas diversão: é o palco onde memórias, identidades e frustrações coletivas se encenam, e onde cada comentário funciona como um pequeno gesto de escrita da nossa história cultural.





















