Por Alessandro Vittorio Romano — Em Cuneo, a respiração da cidade ganhou um novo compasso para quem enfrenta um diagnóstico difícil. Desde junho de 2024, o hospital Santa Croce e Carle constituiu o Esophagel team, uma equipe multidisciplinar que reúne Cirurgia Geral, Cirurgia Torácica e oncologia para acompanhar, de forma completa, os pacientes com tumores do esôfago.
O balanço desses primeiros 18 meses traduz a ideia de uma pequena estação que se tornou ponto de encontro: foram realizados 20 procedimentos cirúrgicos, de variadas complexidades, com óptimos resultados. Em 2025, o centro contabilizou 15 cirurgias — um dado relevante se comparado ao volume nacional, em torno de 850 intervenções anuais — e que posiciona Cuneo como um centro de médio-alto volume.
Há histórias humanas por trás dos números. Mario (nome fictício), um octogenário que chegou a Cuneo vindo de uma região vizinha onde lhe negaram tanto terapia quanto a cirurgia, conta: “Voltei a comer como antes. Foi uma operação complexa, com um resultado estupefaciente. Escolhi Cuneo pela excelência e pela oportunidade que aqui me deram”. Esse testemunho lembra que, para muitos, a saúde é também acesso — a possibilidade de recuperar rotinas simples, como a de um prato partilhado.
O Esophagel team foi pensado para atuar a 360 graus: desde a detecção inicial, com exames e avaliações integradas, até as fases pós-operatórias e o seguimento oncológico. Esse cuidado conjunto permite decisões terapêuticas mais seguras e personalizadas, e reforça uma visão que gosto de chamar de “colheita de hábitos”: pequenas intervenções organizadas que geram a recuperação do cotidiano.
Para quem vive a Itália como paisagem sentida, há sempre uma relação entre lugar e cura. Um centro que agrega competências diferentes transforma não só as estatísticas, mas também a experiência do paciente — a cidade torna-se, de certo modo, parte do tratamento: a calma das colinas, o ritmo dos cafés, a presença de profissionais que acompanham com sensibilidade.
A notícia de Cuneo é, acima de tudo, um lembrete: quando equipes se articulam, a janela de possibilidades se abre. A existência do Esophagel team no Santa Croce e Carle é um sinal de que a medicina pode se aproximar mais da vida, oferecendo tratamentos que devolvem não só anos, mas qualidade de convivência com o próprio corpo.
Para pacientes e familiares, a mensagem é clara — procurem centros com equipes multidisciplinares e não desistam de buscar uma segunda opinião. E para quem acompanha a saúde pública, Cuneo demonstra que investir em estruturas integradas rende frutos palpáveis: melhores resultados clínicos e histórias de vida que recuperam prazer e rotina.






















