Por Alessandro Vittorio Romano — Em um cenário onde o tempo e a saúde se entrelaçam como estações que determinam a colheita, um relatório recente revela que o acesso a medicamentos nas regiões italianas ainda sofre com entraves administrativos e falhas de comunicação. O estudo da Altems Advisory, da Alta Scuola di Economia e Management dei Sistemi Sanitari da Università Cattolica del Sacro Cuore, intitulado “Analisi della governance dell’accesso ai farmaci nelle Regioni Italiane: ruolo, struttura e prospettive dei prontuari terapeutici regionali”, destaca fragilidades que afetam diretamente a disponibilidade terapêutica no território.
A principal dificuldade apontada é a temporalidade e a incompletude das informações fornecidas pela Aifa às Regiões, sobretudo em relação aos aspectos econômicos e contratuais. Como quem observa a respiração da cidade, percebe-se que, sem dados claros e tempestivos, os mecanismos regionais não conseguem sincronizar seus passos — resultando em atrasos que se traduzem em medicamentos que aparecem nos prontuários, mas ainda não chegam às prateleiras e às salas de prescrição.
O relatório também evidencia um lapso temporal entre a inclusão nos prontuários terapêuticos regionais (PTR) e a efetiva disponibilidade do fármaco. Esse hiato nasce de diferenças nos processos de compra, dos prazos técnicos das centrais de aquisição regionais e da ativação dos centros prescritores. Em termos práticos, é como se o relógio interno do sistema de saúde andasse fora de compasso com o calendário das necessidades do paciente.
Outra fragilidade sensível é a fragmentação dos fluxos informativos e dos registros geridos pela Aifa, que prejudica a interoperabilidade entre plataformas e torna o panorama regional desigual. Sem um fio condutor digital e organizacional, as informações circulam em canais paralelos e, muitas vezes, incompatíveis — ecoando a imagem de riachos desconectados que não formam um rio capaz de irrigar toda a planície.
O estudo sugere, implicitamente, a necessidade de harmonização e de reforço das práticas de governança: protocolos mais claros para a transmissão de dados econômicos e contratuais, aceleração dos processos de compras e um investimento em interoperabilidade dos sistemas de informação. São intervenções que lembram o cuidado com um jardim: podar, alinhar canais de água e preparar o solo para que a próxima estação de floresça sem sobressaltos.
Para o cidadão, a consequência é direta: desigualdades territoriais no acesso a terapias e incerteza sobre quando um medicamento será realmente disponível. Para os gestores, o desafio é coordenar uma rede que responda com agilidade à inovação farmacêutica e às demandas de saúde pública.
Como observador atento do cotidiano italiano, vejo aqui uma oportunidade para semear práticas mais integradas — digitais e administrativas — que reduzam a burocracia e agilizem as comunicações. Quando os fluxos informacionais fluem, a cidade e o sistema de saúde respiram em sincronia; quando paralisam, é o paciente quem espera sob o inverno da incerteza. O relatório da Altems é um chamado para que o próximo ciclo seja de colheita: mais transparência, mais velocidade e uma governança que conecte verdadeiramente centros, regiões e cidadãos.






















