Por Chiara Lombardi — Em um gesto que parece reescrever o roteiro cultural da cidade, o Tono Festival chega à sua terceira edição ampliado em dois eixos: territorial e internacional. Promovido pelo Politecnico delle Arti de Bergamo — que reúne Conservatório e Accademia di Belle Arti —, o evento transforma a cidade num palco difuso entre 3 e 15 de fevereiro, com programação principal entre 5 e 15 de fevereiro e inauguração marcada para 3 de fevereiro.
O festival nasce com a ambição de valorizar a produção dos estudantes, convertendo instalações, concertos, filmes e exposições em um espelho crítico do presente. O tema escolhido para 2026 é o da paisagem, entendido não apenas como representação visual, mas como um território de sentidos: memória, ambiente e identidade coletiva. É, em suma, um roteiro oculto da sociedade expresso por cores, acordes e imagens.
A abertura oficial será no Teatro Donizetti, onde a orquestra do Conservatório, dirigida pela maestrina Gianna Fratta, oferecerá um concerto que mistura tradição e formação. Fratta, pianista de reconhecimento internacional e cavaliere da República, conduzirá uma formação mista de alunos e docentes em obras que dialogam com a natureza — as Ebridi de Mendelssohn e a Sexta Sinfonia de Beethoven — numa proposta que é simultaneamente performativa e pedagógica.
O mapa do festival se espalha por dez locais da cidade: as sedes da Accademia di Belle Arti (incluindo a mostra fotográfica na via Suardi a partir de 4 de fevereiro), a biblioteca Tiraboschi, o Daste Arena, a Gamec, o Palazzo della Libertà, o museu de arte contemporânea de Luzzana, Lo Schermo Bianco Lab 80, o próprio Teatro Donizetti e o Teatro Sociale. A programação contempla exibições cinematográficas — entre elas a projeção do documentário “Pellizza – pittore da Volpedo” — instalações sonoras e visuais, noites de música eletrônica com live sets dos alunos de sound design (5 de fevereiro no Daste Arena), além de mostras coletivas e performances ao vivo.
Uma das inovações é o projeto INPA (International Network of the Polytechnics of the Arts), que ao longo do ano envolveu 60 estudantes e 40 docentes de instituições europeias de formação artística. O resultado deste intercâmbio são as exposições Interscape, que estarão em exibição a partir de 12 de fevereiro na Gamec, no Palazzo della Libertà e na Accademia di Belle Arti. Trata-se de um exercício curatoral que traduz o paesaggio em linguagens híbridas, onde som e imagem se entrelaçam para compor novos quadros sensoriais.
Entre as performances previstas, destaca-se a colaboração entre a artista Marta Tessaroli e o músico Luca Brembilla: uma pintura ao vivo inspirada na Presolana, onde a tela é guiada por texturas sonoras que evocam montanha por meio de acordes e efeitos. Esse encontro é exemplo perfeito do que o festival propõe: não apenas mostrar obras, mas demonstrar processos — a criação como espelho do nosso tempo e como prática de re-significação dos lugares.
O Tono se apresenta, portanto, como um cenário de transformação, um laboratório em que a formação acadêmica cruza a cidade e o continente. Para Bergamo, é uma oportunidade de ler novamente sua paisagem cultural, reframeando espaços familiares em palcos de experimentação. Para o público, a chance de acompanhar o surgimento de novas vozes artísticas e de ouvir — literalmente — o roteiro oculto de uma geração em diálogo com o ambiente.






















