Por Stella Ferrari, Economista Sênior – Espresso Italia
A Assolombarda acelera sua estratégia de internacionalização e tem como meta inaugurar uma sede operacional no Dubai até junho de 2026. A iniciativa visa posicionar as mais de 7 mil empresas associadas — de Milão, Monza Brianza, Pavia e Lodi — no centro de um mercado que, em 2024, registrou um interscambio entre Itália e Emirados Árabes Unidos equivalente a 10 bilhões de euros, dos quais cerca de 1,6 bilhão vieram apenas do território lombardo.
O plano prevê a instalação no Dubai Association Center (DAC), complexo que já abriga aproximadamente 70 organizações empresariais globais. Com o apoio da Dubai Chamber, a operação deve evoluir de um desk inicial para um escritório estruturado, atuando como um nó logístico e relacional capaz de catalisar parcerias e sinergias. Para as indústrias locais, trata-se de uma calibragem estratégica: maior proximidade com mercados do Golfo significa reduzir o atrito comercial e ampliar rotas de exportação num cenário global volátil.
Alvise Biffi, presidente da associação há oito meses e condutor desta visão de expansão, destaca a necessidade de diversificação: diante de sinais de desaceleração nos parceiros tradicionais — Alemanha, França e Estados Unidos —, é imperativo abrir novas frentes comerciais. “Cada um desses três mercados representa, para as empresas do nosso território, cerca de 7–8 bilhões de euros de intercâmbio — ressalta Biffi —. Precisamos continuar presentes lá, ao mesmo tempo em que buscamos alternativas e oportunidades adicionais.”
Os números reforçam a estratégia. Em 2024, o saldo com os Emirados foi puxado principalmente pelas exportações, que somaram 7,9 bilhões de euros. Quando a análise se amplia para toda a região do Golfo (GCC), o intercâmbio entre a Itália e o bloco alcança 29,4 bilhões de euros, com exportações de 18,5 bilhões. Deste total, a área de atuação da Assolombarda contribuiu com 1,6 bilhão, evidenciando o peso da Lombardia no motor comercial bilateral.
Trata-se da possível segunda sede externa da associação — a primeira é em Bruxelas — e seu papel será tanto técnico quanto simbólico: oferecer suporte operacional às empresas do território, facilitar negociações e mapear oportunidades em setores-chave, em especial no manufatureiro. Em tempos de incerteza global, essa presença permanente funciona como um sistema de suspensão: absorve impactos, realinha trajetórias e cria repertório para acelerar o crescimento quando as condições permitirem.
Do ponto de vista estratégico, a aposta em Dubai não é mero gesto geográfico, mas uma decisão de engenharia econômica. O Dubai Association Center oferece um ambiente com infraestrutura, acesso a capitais e redes de decision makers que atuam como uma pista de aceleração para empresas que querem testar novos mercados sem perder ritmo operacional. A articulação com a Dubai Chamber reforça a credibilidade institucional necessária para que as empresas lombardas ganhem tração.
Em resumo, a movimentação da Assolombarda sinaliza uma orientação clara: reduzir a dependência de mercados consolidados e construir novos eixos de crescimento. É uma manobra de alta performance — semelhante a recalibrar a transmissão de um motor para extrair eficiência em uma nova faixa de rotação econômica.






















