Walter Ruffinoni assume a presidência da DGS em plano estratégico de €300 milhões
Em um movimento que redesenha um importante trecho do tabuleiro industrial italiano, a assembleia de acionistas da DGS, empresa nacional atuante em transformação digital, cibersegurança e consultoria para empresas e Administração Pública, nomeou Walter Ruffinoni como novo Presidente do Grupo.
A decisão ocorre no contexto da entrada do fundo ICG como acionista de referência e da apresentação de um ambicioso plano estratégico que projeta, até 2028, investimentos superiores a €300 milhões e a contratação de aproximadamente 3.000 novos profissionais na Itália. Trata-se de um movimento de magnitude relevante, em que a empresa pretende combinar crescimento orgânico e aquisições para consolidar posição em áreas-chave como inteligência artificial, fintech, cibersegurança e serviços digitais.
Ruffinoni traz para a presidência uma trajetória executiva de mais de três décadas no setor de tecnologia: foi CEO da NTT Data na Itália por 11 anos e por dois anos na Europa, ocupou cargos de destaque em Siebel e Oracle, e atualmente exerce funções de liderança em importantes entidades de formação e inovação, como Diretor-Geral do POLI.Design, Presidente do ELIS Innovation Hub e Non Executive Director da Getronics. Sua nomeação é percebida como um reforço da governança no momento em que o grupo busca escalar operações e atrair talentos de alta especialização.
O plano industrial do grupo, impulsionado pela dupla de liderança executiva formada por Salvatore Frosina e Vincenzo Fiengo, prevê não apenas aportes financeiros significativos, mas também um reforço explícito da camada gerencial. Além de Ruffinoni, ingressaram no quadro diretivo oito executivos de grande experiência no setor de tecnologia na Itália: Biagio De Marchis (Executive Vice President, Business Growth), Germana Montroni (Chief Financial Officer), Pierluigi Brienza (Corporate Strategy Advisor), Roberta Giani (Chief Marketing & Communication Officer), Monica Basso (Head of Group Internal Audit), Francesco Schininà (Head of M&A and Integration), Eraldo Federici (COO DGS Digital Solution) e Pierfrancesco De Loiro (Head of North Sales Market, Cybersecurity).
Na avaliação de Ruffinoni, a missão da DGS é conjugar capacidades tecnológicas e know‑how estratégico para ser um parceiro distintivo do tecido produtivo italiano: “O desenvolvimento do País e do seu tecido empresarial passa por fatores habilitadores como a cibersegurança e a inteligência artificial”, declarou o novo presidente, destacando a importância de atrair talentos e consolidar competências internas.
Como analista com olhar de Estado, observo que a operação representa um movimento de alicerce mais do que um gesto simbólico: é a tentativa de estruturar uma plataforma nacional competitiva numa arena em que a tectônica de poder tecnológico e industrial está em aceleração. A entrada de ICG, o reforço da cúpula executiva e o compromisso com investimentos e contratações desenham um plano ambicioso, cujo êxito dependerá da capacidade de integração das aquisições, da retenção de talentos e da execução disciplinada das iniciativas de inovação.
Em termos pragmáticos, o desafio é transformar esse capital anunciado em capacidade operacional sustentável: construir canais comerciais, consolidar ofertas em fintech e segurança digital, e converter talento em produtos e contratos de longo prazo. Trata‑se de um movimento estratégico de alto risco e potencial alto retorno — uma jogada no tabuleiro que, bem executada, pode reposicionar a DGS como um ator relevante na geografia digital europeia.
O cenário exigirá atenção aos detalhes da governança, à velocidade de integração das equipes e à coerência entre investimentos e maturidade de mercado. Se o plano prosperar, veremos nos próximos anos um fortalecimento dos alicerces da soberania tecnológica italiana, com reflexos claros na competitividade do setor privado e na resiliência das infraestruturas críticas.






















