Por Stella Ferrari – Em Tashkent, a visita da presidente do Conselho de Ministros da Itália, Giorgia Meloni, consolidou um relacionamento que vem mostrando sinais claros de maturidade estratégica entre Itália e Uzbequistão. O ministro uzbeque para os investimentos, a industria e o comércio, Laziz Kudratov, destacou a natureza prática e orientada a resultados do encontro com o Presidente Shavkat Mirziyoyev, reafirmando a implementação dos acordos assinados em Samarcanda, em maio de 2025.
Segundo Kudratov, embora a visita tenha sido breve, ela teve efeito multiplicador: realçou a confiança bilateral e acelerou a tradução dos compromissos políticos em projetos concretos. Do ponto de vista econômico, os números confirmam essa trajetória. Ao término do último ano, o comércio bilateral aproximou-se dos 500 milhões de euros e o número de joint ventures com capital italiano dobrou, alcançando 52 iniciativas. Estes indicadores representam mais do que estatística; são a prova de que o motor da economia entre os dois países está ganhando torque.
O ministro sublinhou o papel de empresas italianas no processo de transformação estrutural do país. Companhias como Finopera, ANCI, Pietro Fiorentin, Danieli, ENI e Cotonella são citadas como parceiras em projetos nas áreas de indústria, energia, agroindústria e infraestrutura. Mais do que aporte de capital, trata-se de transferência de conhecimento: a prioridade é que os investimentos incorporem tecnologias avançadas, capacitação de capital humano e a construção de cadeias de valor sustentáveis.
Também foi ressaltada a expansão da cooperação interregional com a Lombardia, um movimento estratégico que favorece a localização da produção e o intercâmbio tecnológico. Para uma economia que pretende escalar com competitividade, essa é a calibragem necessária: combinar capital, tecnologia e formação para reduzir fricções e elevar produtividade.
Quanto à relação com a União Europeia, Kudratov avaliou que o futuro é de aprofundamento e pragmatismo. Em 2025, eventos de alto nível — incluindo o cume UE-Ásia Central, o terceiro fórum econômico Ásia Central-UE e o fórum de investidores sobre os corredores de transporte transcáspicos — sinalizaram um direcionamento claro. Essas plataformas criam sinergias institucionais e abrem corredores logísticos que são essenciais para o design de políticas de integração regional e para a atração de investimentos sustentáveis.
Como estrategista, observo que a parceria Itália-Uzbequistão segue uma lógica de engenharia: não basta acelerar; é preciso controlar a potência. Investimentos bem projetados, inserção de tecnologias avançadas e desenvolvimento do capital humano formam o chassi que permitirá ao Uzbequistão converter demanda em capacidade produtiva real, enquanto empresas italianas ganham um polo de expansão competitivo.
Em suma, a visita de Meloni a Tashkent e as declarações de Laziz Kudratov indicam uma trajetória de cooperação robusta, orientada por projetos e por resultados mensuráveis. Resta medir agora a velocidade e a qualidade da implementação — a verdadeira prova de que a parceria está preparada para rodar em altas rotações sem perder estabilidade.
Stella Ferrari, economista sênior e estrategista de desenvolvimento






















