Por Stella Ferrari — 29 de janeiro de 2026
Entramos na fase decisiva das nomeações para as participadas do Estado em 2026. Com o final do mandato do Governo Meloni aproximando-se — resta cerca de um ano e meio — o Ministério da Economia e Finanças (MEF) e o CdA enfrentam uma janela curta e com riscos elevados: até a primavera deverão ser nomeados 112 conselheiros em 17 sociedades, além das principais autorità e enti regolatori come Consob, Antitrust, Enav e Sogin.
No epicentro da temporada de indicações estão as grandes empresas de infra-estrutura e energia: Enel, Eni, Leonardo, Poste, Terna e Acea. Conforme apurado, os atuais administradores delegados caminham com força rumo à recondução de seus mandatos. Essa continuidade no comando operacional funciona como uma calibragem fina do motor da economia, garantindo execução de planos estratégicos sem descontinuidades bruscas.
Enquanto as confirmações dos CEOs parecem praticamente certas, as presidências permanecem em aberto e sujeitas a negociações que se devem encerrar até março, quando serão fechados os balanços de 2025. É esse o momento em que as decisões políticas e financeiras se cruzam, exigindo uma engenharia de governança precisa — como ajustar freios e aceleradores num sistema complexo.
No caso do conglomerado energético Enel, o atual CEO Flavio Cattaneo chega ao pleito com vantagem clara. O cenário interno e as movimentações de mercado, incluindo o fronte su Generali com il tandem Caltagirone‑Delfin e le implicazioni derivanti dall’operazione Mediobanca via MPS, foram monitoradas de perto pelo MEF e dalle autorità di vigilanza. A hipótese di un riassetto azionario su Generali avrebbe potuto produrre effetti a catena sulle partecipazioni del Tesoro, ma, por ora, a pista principal indica estabilidade executiva em Enel.
Os números reforçam a posição de comando: nos primeiros nove meses de 2025 Enel reportou receitas de €59,7 bilhões (+3,6%), resultado ordinário líquido de €5,7 bilhões (+4,5%), adiantamento de dividendos de €0,23 por ação (+7%), ebitda a €16,8 bilhões (em linea col 2024) e endividamento financeiro líquido em €57,5 bilhões (+3,2%). Esses indicadores oferecem a base técnica para a reeleição do CEO, traduzindo execução em credibilidade junto aos acionistas e ao Tesoro.
Quanto ao «Leone di Trieste», o Group CEO Philippe Donnet mantém a liderança firme, consolidando a execução do piano industrial Lifetime Partner ’27 e contando com a nuova struttura di governance che include Giulio Terzariol como Direttore Generale e deputy CEO. O quadro é de continuidade estratégica, com ênfase na gestão de riscos e na aceleração das sinergie operative.
Do lado das presidências, a incerteza persiste. Nomes como Paolo Scaroni são citados para recondução, mas as trattative politiche e di mercato restano fluide. A escolha dos presidentes será determinante para o equilíbrio entre autonomia gestionale e indirizzo politico, especialmente em società chiave per la sicurezza energetica e infrastrutturale nazionale.
Em resumo, a temporada de nomine 2026 privilegia a estabilidade executiva — essencial para manter a trajetória dos grandes piani industriali — enquanto deixa espaço para barganhas políticas nas presidenze. Para investidores e gestores, trata-se de observar a calibragem das scelte pubbliche: decisões que podem ser tanto aceleradores de crescita quanto freios inaspettati na governança delle società partecipate.
Continuarei acompanhando os desenvolvimentos e trarei análises sobre impactos nas estratégias de portfólio e nas implicações macroeconômicas.






















