Às 9h de hoje, a plataforma disponibiliza os primeiros quatro episódios da quarta temporada de Bridgerton, abrindo novamente as portas para os salões e intrigas da Regency Era. A estreia marca apenas a primeira metade da temporada: os episódios 1 a 4 chegam hoje, e a segunda parte será liberada em 26 de fevereiro.
No centro desta nova leva de capítulos está a busca pelo amor de Benedict Bridgerton (Luke Thompson). O segundo filho da família, um bohêmien relutante em se encaixar nos moldes sociais, vive dividido entre as pressões familiares — sobretudo as da matriarca Lady Violet Bridgerton (Ruth Gemmell) — e o desejo de uma paixão que traga sentido à sua vida.
Em um baile à máscara promovido por Violet, Benedict é arrebatado por uma enigmática Dama de Prata, rosto oculto por véus e mistério. Com alguma resistência, e muito pragmatismo, sua irmã Eloise (Claudia Jessie) acaba auxiliando-o na caçada para desvendar a identidade da misteriosa moça. A surpresa vem quando a figura idealizada não é uma debutante das altas rodas: é Sophie Baek (Yerin Ha), uma criada ao serviço de Araminta Gun (Katie Leung).
O reencontro entre Benedict e Sophie tensiona as linhas entre fantasia e afeto. Él, encantado pela imagem da Dama de Prata, não consegue conciliar essa idealização com a mulher real que está diante dele — ignorância que ameaça apagar a faísca inegável entre ambos. O conflito é simples e profundo: o verdadeiro obstáculo será a diferença de classe ou a própria incapacidade de Benedict em unir sonho e realidade?
Esse enredo de amor proibido funciona como um espelho do nosso tempo, onde o sentimental e o social colidem num roteiro que reaviva a velha questão dos limites impostos pelas convenções. É também uma narrativa de formação: a transformação de Benedict, segundo o ator Luke Thompson, acontece ao fundir o lado fantástico e o lado mais concreto da vida, crescendo a partir desse encontro.
No pano de fundo, há ainda os casamentos e caminhos dos irmãos: Francesca (Hannah Dodd) casa-se com John Stirling (Victor Alli) e Colin (Luke Newton) vive as novas consequências de seu relacionamento com Penelope (Nicola Coughlan), especialmente após a revelação pública de sua identidade como cronista mondana. Esses eventos ajudam a compor o cenário de transformação que molda não apenas um casal, mas uma constelação de relações familiares e sociais.
A produção, filmada inteiramente em Londres, mantém a assinatura criativa de nomes como Shonda Rhimes, Betsy Beers, Tom Verica e Chris Van Dusen, com Jess Brownell como showrunner e produtora executiva. A estética, os figurinos e a trilha continuam trabalhando como um quadro que reflete não só o passado, mas também nossas atuais aflições e desejos — a série permanece como um reframe da realidade onde o romance é palco para discussões sobre identidade, classe e masculinidades.
Thompson também comentou sobre a representação da masculinidade em Benedict: ao contrário de estereótipos rígidos, seu personagem é curioso, aberto e não se define por uma sexualidade que o consuma. Ainda assim, ao longo da temporada ele enfrenta o risco de compartimentalizar emoções, algo que muitos homens vivem hoje em dia. Essa nuance torna a jornada de Benedict menos conto de fadas e mais um estudo sensível sobre amadurecimento emocional.
Para os fãs, a divisão da temporada cria um mês de expectativa — tempo suficiente para especular, revisitar episódios anteriores e enxergar em Bridgerton um espelho cultural onde o entretenimento desenha, com elegância crítica, o roteiro oculto da sociedade.






















