Por Giuseppe Borgo — Aprox. dois meses antes do pleito, um novo levantamento desenha um quadro claro sobre o referendo que questiona a reforma da justiça italiana. Segundo pesquisa do Istituto Noto para o programa Porta a Porta, a participação prevista para os dias 22 e 23 de março está estimada em 45% — um número que sinaliza uma afluência relativamente baixa e que pode influenciar a capacidade da votação de produzir um resultado incontestável.
De acordo com o levantamento, 45% dos entrevistados declaram que vão comparecer às urnas nessas datas; 49% afirmaram que não irão e 6% disseram estar indecisos. No mérito da pergunta central sobre a confirmação da lei que prevê a separação de carreiras dos magistrados, o resultado é favorável ao texto aprovado pelo Parlamento: 59% votariam sim para confirmar a norma, enquanto 41% optariam pelo não, pedindo a abolição.
O levantamento também detalha reações a propostas institucionais que fazem parte da arquitetura do texto em consulta. Sobre a criação de dois conselhos superiores da magistratura — um para os procuradores e outro para os magistrados julgantes — ambos presididos pelo Presidente da República, 53% se mostram a favor, 24% contrários e 23% indicam não saber ou não opinar.
Quanto à proposta de instituir uma Alta Corte Disciplinar composta por 15 membros — com três nomes indicados pelo Presidente da República, três provenientes de professores universitários e advogados com pelo menos 20 anos de atividade escolhidos por sorteio a partir de uma lista aprovada em sessão conjunta do Parlamento, e nove magistrados extraídos por sorteio entre procuradores e juízes —, 55% dos entrevistados aprovam essa composição, 28% são contrários e 22% estão incertos.
Outro ponto técnico abordado no estudo foi a composição dos dois conselhos superiores: a ideia de que eles sejam formados por dois terços de magistrados sorteados entre a categoria e um terço por professores universitários ou advogados com ao menos 15 anos de atividade — também escolhidos por sorteio dentro de lista aprovada pelo Parlamento em sessão conjunta — recebe 55% de apoio, 24% de rejeição e 21% de indecisos.
Esses números mostram que, embora a maioria se incline pela manutenção da reforma e por mecanismos de seleção por sorteio, o processo esbarra ainda na variável da mobilização eleitoral: com menos da metade do eleitorado declarando intenção de votar, o resultado pode depender mais da capacidade de cada campo de transformar intenção em comparecimento real. Em outras palavras, a construção dos alicerces da lei pode passar agora pelo peso da caneta do eleitorado nas mesas de votação.
Como repórter e observador das pontes entre Roma e a vida cotidiana dos cidadãos, registro que as propostas técnicas — mesmo quando ganham adesão em sondagens — exigem explicações claras e campanhas de esclarecimento: derrubar barreiras burocráticas também significa levar aos eleitores a compreensão de como essas mudanças afetarão o sistema judiciário e a proteção de direitos.
Metodologia: pesquisa Istituto Noto para Porta a Porta; margem de erro não especificada no comunicado.






















