Em mais uma virada do roteiro que reflete nosso tempo, Yerin Ha foi anunciada como a nova protagonista feminina da quarta temporada de Bridgerton, série da Netflix que se tornou espelho social e cultural do entretenimento global. A atriz interpretará Sophie Baek, interesse romântico do segundo filho da família Bridgerton, Benedict Bridgerton.
Classe de 1998 e nascida em Sydney, Austrália, Yerin Ha vem de pais sul-coreanos — um detalhe que ganhou importância narrativa quando a produção decidiu adaptar o sobrenome de Sophie. Nos livros de Julia Quinn, a personagem era conhecida como Sophie Beckett, mas para a versão televisiva a mudança para Baek foi proposital: um gesto que dialoga com identidade, representação e a sutileza com que nomes gravam pertencimento.
Como disse a própria atriz, “Um nome é o primeiro elemento de identidade que você compartilha com o mundo, e por isso mudá-lo pode ter um impacto tão forte”. Para Ha, ajustar o sobrenome de Sophie a algo que remete às suas raízes foi estimulante artisticamente, e ela atribui o movimento à sensibilidade da showrunner Jess Brownell. O reconhecimento público dessa mudança é um pequeno, porém notável, reframe da história original — uma intervenção que transforma o roteiro oculto da sociedade em cena.
Antes de integrar o universo de Bridgerton, Yerin Ha já havia acumulado experiências relevantes: participou da série Halo, produção ligada ao famoso franchise de videogames e com produção executiva de nomes como Steven Spielberg; e esteve em cartaz na produção do Lord of the Flies (O Senhor das Moscas) encenada pela Sydney Theatre Company no Roslyn Packer Theatre. Essa trajetória entre televisão de grande escala e palco mostra uma atriz moldada tanto pela economia do espetáculo quanto pela disciplina teatral — duas linguagens que frequentemente reescrevem o que entendemos por autenticidade performática.
O anúncio de Yerin Ha sucede a sequência de protagonistas que marcaram as temporadas anteriores — de Phoebe Dynevor a Simone Ashley e Nicola Coughlan — e sinaliza uma continuidade estética e também uma expansão da representatividade na série. A inclusão de uma protagonista com raízes asiáticas, e a alteração consciente do sobrenome da personagem, funciona como um eco cultural: não se trata apenas de escalar diversidade, mas de reorganizar pequenos elementos da narrativa para que o espelho da série reflita um mundo menos homogêneo.
Enquanto os fãs aguardam o desenrolar romântico entre Sophie Baek e Benedict Bridgerton, o movimento criativo por trás da escolha de elenco nos convida a olhar além do beijo e do baile. É uma lembrança de que entretenimento é, muitas vezes, uma cena de transformação — o palco onde memórias coletivas se remanufaturam e onde nomes e rostos reescrevem possibilidades de identificação.
Em tempos de disputas sobre autenticidade e representação, a chegada de Yerin Ha a Bridgerton é um pequeno ato narrativo com reverberações simbólicas. Como toda boa cena, permanece a pergunta: o que essa nova Sofie (ou Sophie) nos ensina sobre quem somos e sobre o que escolhemos ver em nós mesmos?






















