Milão — A prática esportiva deve ser formalmente prescrita por médicos como terapia adjunctiva para combater a ansiedade e a depressão, afirmaram especialistas da Sociedade Italiana de Neuropsicofarmacologia (Sinpf) no início do XXVII congresso nacional, em Milão. A recomendação, baseada em uma revisão da literatura científica, compara o efeito da atividade física a um farmacológico para a saúde mental.
Em declarações oficiais, os presidentes da Sinpf, Matteo Balestrieri e Claudio Mencacci, sustentaram que evidências recentes shows mostram que o movimento age sobre os sistemas dopaminérgico e serotoninérgico com uma eficácia que já não pode ser ignorada. “A literatura científica mais recente fala claro: o movimento físico atua sobre os sistemas dopaminérgicos e serotoninérgicos com uma eficácia que não podemos mais ignorar”, disseram.
A inovação proposta é técnica e operacional: não basta orientar o paciente a “fazer mais exercício”. Segundo Mencacci, é preciso uma prescrição clínica estruturada — indicando o tipo de atividade, frequência, duração e objetivos — inserida no protocolo terapêutico dos pacientes com transtornos do humor.
“Não pode ser apenas um convite vago — ‘faça um pouco de movimento’ —, mas uma receita precisa sobre que atividade realizar, por quanto tempo, e explicando os benefícios em espaços e contextos definidos”, explicou Mencacci à margem do congresso. O argumento une ganhos físicos, cognitivos e sociais: a prática orientada pode reduzir isolamento e solidão, fatores que agravam o quadro psiquiátrico.
Os especialistas chamam atenção para um aumento consistente dos quadros de saúde mental nos últimos anos. Embora os números variem por país e faixa etária, há uma tendência clara de crescimento dos transtornos de ansiedade e depressão — um cenário que, segundo a Sinpf, torna imperativa a integração da atividade física nas rotinas clínicas.
O apelo da Sinpf chega em um momento de visibilidade esportiva crescente, com a proximidade da abertura de Milano-Cortina 2026. Além do impacto direto da prática, os especialistas destacam também o efeito psicológico positivo de assistir a eventos esportivos: ver atletas em desempenho máximo pode funcionar como estímulo e inspiração, mas é a adoção contínua do movimento que proporciona benefícios terapêuticos mensuráveis.
Do ponto de vista prático, os médicos são convocados a tratar o esporte com a mesma sistematicidade de um fármaco: diagnóstico, indicação precisa, acompanhamento e ajuste conforme resposta clínica. A proposta também envolve políticas públicas e integração entre saúde primária, serviços de saúde mental e programas esportivos comunitários para garantir adesão e acessibilidade.
Em linguagem de reportagem: apuração in loco e cruzamento de fontes situam a recomendação num contexto de forte respaldo científico e urgência clínica. A realidade traduzida pelos especialistas aponta para um raio-x do cotidiano em que a atividade física deixa de ser apenas hábito de bem-estar e passa a ser peça estruturante na luta contra transtornos do humor.
Conclusão: diante da evidência consolidada, a Sinpf pede que o esporte saia da esfera do conselho genérico e entre na prescrição médica formal, com protocolos claros para que milhões de pessoas possam receber, de forma sistemática, uma intervenção que é ao mesmo tempo física, mental e social.






















