Por Chiara Lombardi — Hoje, o cinema popular volta a funcionar como espelho do nosso tempo: na quinta-feira, 29 de janeiro, às 21h, a Sky Cinema Comedy exibe Baywatch (2017), a adaptação cinematográfica dirigida por Seth Gordon da série que transformou a jovem estrela em um ícone global. O filme, protagonizado por David Hasselhoff e que reconstrói o universo ensolarado e hiperbólico dos salva-vidas, retoma um capítulo decisivo na carreira de Pamela Anderson, intérprete da emblemática C.J. Parker.
Mais do que uma lembrança nostálgica, a exibição é uma oportunidade para reler a trajetória de uma figura cujo rosto — e biografia — atravessaram a cultura pop das últimas décadas. A série original dos anos 1990 não só lançou artistas como Pamela Anderson; ela cristalizou uma estética e um imaginário que se tornaram sinônimos de verão, espetáculo e sexualização televisiva. No contexto contemporâneo, rever Baywatch é também ler o roteiro oculto da sociedade que consome e projeta ícones.
O filme de 2017 oferece um reframe irônico sobre esse legado: ao mesmo tempo que celebra a caricatura do heroísmo praiano, ele a desmonta com humor e autoconsciência. Essa ambivalência reflete o paradoxo em torno da própria carreira de Pamela, cujas escolhas públicas e privadas alimentaram debates incessantes sobre gênero, imagem e propriedade do corpo na esfera midiática.
Assistir hoje a Baywatch na Sky Cinema Comedy é, portanto, mais do que revisitar cenas de ação e biquínis: é ler um eco cultural. A personagem C.J. Parker funcionou como espelho de expectativas sociais — um molde que a artista soube ocupar e, em diferentes momentos, questionar. A presença de David Hasselhoff reforça ainda o elo entre a série original e sua releitura cinematográfica, lembrando-nos de como a televisão e o cinema se retroalimentam para construir mitos.
Para além da ficção, o caso de Pamela Anderson aponta para questões maiores: a velocidade com que a fama se forma, a economia da imagem e a forma como a cultura popular industrializa ícones. Em tempos de redes sociais, o fenômeno ganha novas camadas — a semiótica do viral substitui a agenda editorial, e a memória coletiva se fragmenta entre cliques e trending topics.
Se você pretende assistir à exibição desta quinta, vale considerar a dimensão histórica do espetáculo: observe não só a ação na areia, mas também o que ela revela sobre as formas de olhar que atravessaram finais do século XX e permanecem vivas. Em última instância, Baywatch continua sendo um roteiro de transformação — ora camp, ora crítico — que nos convida a refletir sobre quem molda as narrativas e por quê.
Programação: Baywatch (2017), direção de Seth Gordon. Exibição: 29 de janeiro de 2026, 21h, Sky Cinema Comedy. Prepare o sofá, mas leve também um olhar atento: o entretenimento raramente é apenas diversão.






















