Por Giuseppe Borgo – Em meio a tensões internas e críticas à linha política, os reformistas do PD garantem: não há intenção de promover uma cisão. “Hic manebimus optime” — permaneceremos aqui — repetem os dissidentes internos, que afirmam viver bem no partido e negam qualquer tentação de abandonar a casa que ajudaram a construir.
O pedido reiterado para convocar uma direção nacional, no entanto, reacendeu conversas sobre divisões. Para a deputada Lia Quartapelle, em contato com a imprensa, a solicitação de debate não representa um ultimato, mas justamente o contrário: “A requisição de confronto é a prova de que estamos ligados ao PD“. Ou seja, pedir a mesa de discussão é reforçar a participação, não desenhar uma fuga.
Os pontos de tensão são conhecidos: a política externa — da Ucrânia a Gaza, passando pelo plano de rearmamento europeu — está no centro das divergências com a secretária Elly Schlein. Além das opções estratégicas, há queixas sobre a escassa propensão ao diálogo e a ausência de uma defesa clara frente aos “ataques reiterados” que pedem que os reformistas saiam do partido.
Alguns nomes que alimentam esse clima são sintomáticos. Goffredo Bettini promove a ideia de uma “tenda moderada” fora do PD; o historiador Tomaso Montanari colidiu com setores do partido sobre o referendo, enquanto a eurodeputada Pina Picierno denunciou recentemente um “ar irrespirável” nas relações internas.
Mesmo no seio dos reformistas não há uniformidade total. O senador Filippo Sensi declarou que votará “Não” no referendo, citando coerência pessoal, mas ressaltou o valor do debate: “Um partido não é uma caserna. O debate, se não vira briga, é democracia”. Em contrapartida, Picierno apóia o “Sim” e foi direta ao pedir que a secretária Schlein fale com clareza e ponha fim às humilhações públicas de membros do partido.
O apelo por clarificação não vem apenas da ala minoritária. Figuras da maioria, entre elas Goffredo Bettini, Andrea Orlando e Marco Sarracino, também consideram indispensável um confronto interno. O fato prático e simbólico é que falta exatamente um mês para completar um ano sem a reunião da direção nacional — um vácuo que pesa especialmente sobre os reformistas, que reclamam a convocação do “parlamentino” para debater a linha do partido.
Como escreve Sensi nas redes sociais, o mundo mudou num ano e o partido precisa voltar a reunir-se politicamente, com uma Direção aberta e pública, à altura do nome “democráticos”. É uma chamada para reconstruir os alicerces do diálogo interno — uma pequena obra civil necessária para evitar que fissuras se transformem em ruínas maiores.
Na prática, os reformistas insistem que a convocação da Direção não é um gesto de rebeldia, mas um pedido de responsabilidade: colocar a arquitetura do partido à prova, discutir política externa, referendo e estratégias futuras, e restabelecer canais de diálogo antes que o peso da caneta de decisão caia sobre poucos.
Em resumo: por ora, a cisão é afastada. Mas a condição é clara — se o PD quer manter a coesão, deve abrir as portas da direção, aceitar o debate público e reconstruir pontes internas. O desafio é transformar a tensão em processo democrático e não em ruptura: uma ponte entre correntes para que o partido continue sendo um espaço de construção política e cidadã.






















