Por Giuseppe Borgo — Em uma intervenção clara e direta, a vice-presidente do Parlamento Europeu, Pina Picierno, afirmou que a convocação da direção nacional do PD é a prova de que há vontade interna de promover uma discussão política séria dentro do partido. A declaração foi dada em resposta às solicitações feitas à secretária do partido, Elly Schlein, para que reúna o órgão dirigente.
Picierno ressaltou que a chamada à unidade, muito usada e por vezes mal aplicada, só se sustenta quando existe um espaço concreto para o debate. ‘A unidade tão invocada, muitas vezes também indevidamente, nasce da dificuldade do debate; mas se não existe um lugar para esse confronto, não existe unidade — permanece apenas o unanimismo baseado na fidelidade ao líder’, advertiu a dirigente do campo riformista do PD.
Com a precisão de um repórter que observa a arquitetura do voto e a construção de direitos, Picierno sublinhou que partidos fundados na lealdade cega ao chefe não prosperam a longo prazo. ‘O que me entristece é ver uma espécie de homogeneização em torno de uma ideia diferente de partido: a ideia de partido com uma donna sola al comando — uma mulher ou um homem só no comando. Nós do PD não somos nem nunca fomos assim’, declarou.
Nos últimos dias, a parlamentar descreveu o clima interno como ‘irrespirável’ e falou em ‘bullying’ para qualificar ataques recebidos por figuras do campo reformatório, citando, entre outros, o prefeito de Bergamo, Giorgio Gori, por suas posições sobre Gaza e o Médio Oriente. Picierno classificou como preocupante a presença de slogans agressivos nas manifestações, como cartazes com a frase ‘Fuori i sionisti dal Pd’.
Para ela, o **pluralismo** é um valor fundante do partido e não pode ser tratado como problema. ‘O pluralismo, que é um valor fundacional do PD, está sendo quase visto como uma dificuldade. Eu acho isso gravíssimo. Nós, riformistas, contribuímos para criar este partido e o amamos. É a nossa casa’, concluiu Picierno, traçando uma imagem de cidadania que liga a discussão interna à necessidade de manter alicerces democráticos.
Enquanto observa o peso da caneta nas decisões de Roma, a dirigente pede que a discussão política seja trazida aos órgãos competentes, construindo pontes — não barreiras — entre diferentes correntes internas. A chamada à direção nacional não é apenas um pedido formal: é um convite para recolocar o debate público no centro da vida do partido, valorizando a pluralidade e combatendo o que classificou como intimidação política.






















