Por Giuseppe Borgo, Espresso Italia — A líder do Partido Democrático, Elly Schlein, anunciou que deve convocar em breve a direção do PD, atendendo a pedidos da minoria interna e de setores da maioria. A reunião busca realinhar o partido diante do novo cenário político que se consolidou desde a ascensão de Donald Trump até as recentes movimentações em Roma. A convocação pode acontecer já na próxima semana, segundo a secretária.
Em declarações à margem de uma coletiva em Montecitorio, Schlein disse: “Espero convocar a Direção do partido o mais rápido possível. Talvez já na semana que vem.” A pressa da líder reflete a estratégia de manter o partido com os “pés no terreno” nos principais dossiês que confrontam o governo de Giorgia Meloni.
O primeiro eixo de confronto é o referendum, no qual o PD pretende atuar “pancia a terra”. Schlein posiciona o partido como vanguarda do bloco do Sim, assumindo o papel de cabeça de aríete na campanha. Nos bastidores, dirigentes como Goffredo Bettini, Andrea Orlando e Marco Sarracino consideram o momento propício para um reajuste tático no partido.
Outro ponto que escalou o embate com o governo foi a alteração do texto do chamado ddl estupros, cujo conceito original de consentimento livre foi substituído, na proposta revisada, pelo termo dissenso — modificação atribuída à intervenção da advogada Giulia Bongiorno. Schlein não hesitou em telefonar diretamente a Meloni para solicitar a reversão da mudança: “Peço que parem e que reintroduzam o consentimento. Não existe meia vírgula mediada com o PD; isso é uma traição às mulheres. Meloni não deve deixar que o patriarcado ou a direita ditem a linha”, afirmou a secretária.
No front da emergência, o clima acirrou-se após as chuvas que devastaram áreas do Sul. A primeira-ministra Meloni sobrevoou as zonas afetadas e anunciou medidas de socorro e rápida intervenção. Do lado do PD, porém, o tom foi de crítica: Schlein esteve nas regiões atingidas antes da visita oficial do governo e relatou a precariedade da resposta. O deputado Francesco Boccia lembrou que a presença de Meloni ocorreu 24 horas depois da da secretária do PD.
Schlein classificou como insuficiente o pacote de 100 milhões aprovado pelo Conselho de Ministros e pediu realocação de recursos: “Há 1.500 pessoas fora de casa. Os 100 milhões não bastam. Existe um bilhão destinado ao projeto do Ponte di Messina que, de qualquer forma, não pode ser usado por bloqueios da Corte de Contas — que seja imediatamente deslocado para dar suporte aos territórios afetados.”
O quadro formado é o de um PD que busca reconstruir alianças internas e fortalecer a sua presença nos territórios, enquanto pressiona o governo em temas sensíveis que tocam direitos fundamentais e a proteção das populações mais vulneráveis. Na arquitetura do debate público, Schlein tenta erguer alicerces sólidos para o partido: convocar a direção serve tanto para sanar fissuras internas quanto para organizar uma frente clara contra medidas do Executivo que, na avaliação dos democratas, corroem garantias civis.
O confronto entre as duas lideranças promete ser um dos eixos centrais da política nacional nas próximas semanas — um teste que conecta a caneta dos governantes à vida concreta das comunidades, e que pode antecipar peças da disputa eleitoral de 2027.






















