Volta à grade da Rai1 o talk de análise política e cultural XXI Secolo, apresentado por Francesco Giorgino, em sua terceira edição. A estreia acontece na segunda-feira, 2 de fevereiro, em segunda-feira à noite, e a atração passará a ir ao ar todas as segundas-feiras em segunda serata. A primeira edição terá como fio condutor as Olimpíadas Milano-Cortina e contará com o confronto ao vivo com o ministro Abodi — além de participações de atletas e ex-campeões.
Giorgino define o programa como dotado de uma dupla sensibilidade: imerso no presente e voltado para o futuro. “Significa equipar a redação com instrumentos interpretativos compatíveis com a complexidade do nosso tempo, para tentar contar não só futuros possíveis, mas também os prováveis”, afirma o jornalista. Como exemplo dessa complexidade, ele cita a era Trump: “Trump é um sujeito de altíssima notiziabilidade; a questão é compreender se vivemos um desordenamento mundial ou a antecâmara de um novo ordenamento” — uma pergunta que, segundo ele, cabe ao XXI Secolo formular.
Três marcas definem a nova fase do programa. A primeira é o tom: um jornalismo pacato, sem gritos e sem sobreposição aos entrevistados. “A TV pode fazer jornalismo sem gritar; o tom é uma voz ponderada, que respeita as instituições e busca respostas no interesse dos cidadãos”, diz Giorgino. A segunda característica é a vocação divulgativa do formato, que alia linguagem técnica e acessível. Paolo Corsini, diretor do Approfondimento Rai, acrescenta que Giorgino é “um colega e amigo, profundo conhecedor da linguagem televisiva” e elogia o caráter interno da produção: “é uma produção totalmente interna e Rai”.
A grande novidade prática é a abertura ao público jovem: o estúdio receberá universitários da Geração Z, que poderão dirigir perguntas aos convidados e dialogar com as discussões em tempo real. “Queremos deixar claro que a TV generalista dialoga com as novas gerações”, declara o apresentador. Além disso, o programa aposta na contaminação do linguajar: gráficos, imagens e, especialmente, o uso do linguagem dos dados como ferramenta interpretativa. Os social media serão integrados ao fluxo da transmissão, criando uma ponte entre a TV e as plataformas new media.
Outro ponto de atenção é a rubrica dedicada ao encontro com nomes do entretenimento: “A chave não é o personagem, mas a pessoa por trás dele”, revela Giorgino, sinalizando um interesse por perfis que iluminem tensões culturais e simbólicas contemporâneas.
Como observadora do nosso tempo, é impossível não ver em XXI Secolo mais do que um programa: é um espelho do nosso presente em cena, um roteiro oculto que tenta decifrar quais narrativas resistirão. A entrada ativa da Geração Z em estúdio e a aposta nos dados e nas imagens sugerem um reframe da realidade televisiva — uma tentativa de sintetizar o imediatismo das redes com a profundidade analítica do jornalismo. Em outras palavras, um pequeno set que busca traduzir o eco cultural do século em curso.
Estreia: 2 de fevereiro, segunda-feira, segunda serata, Rai1. Não é só entretenimento: é um convite a pensar o que vem depois do take.






















