Por Alessandro Vittorio Romano — Em um momento em que a paisagem da medicina onco-hematológica muda com a mesma delicadeza de uma primavera que insiste em chegar, chegam notícias que trazem alento. O professor Paolo Corradini, referência em ematologia na Universidade dos Estudos de Milão e diretor da Divisão de Ematologia e Transplante de Medula Óssea do IRCCS Instituto Nacional Tumori de Milão, falou à imprensa sobre a ampliação da reembolsabilidade pela Aifa da terapia celular lisocabtagene maraleucel — conhecida como liso-cel — para linfomas de grandes células.
No encontro organizado pela Bristol Myers Squibb Italia, Corradini explicou que entre as imunoterapias CAR-T utilizadas no tratamento de linfomas agressivos recidivantes ou refratários, o mecanismo de produção do liso-cel é completamente distinto daquele empregado por outros produtos como tisa-cel e axi-cel. Essa diferença tecnológica traduz-se, segundo o especialista, em tossicidade muito mais baixa mantendo eficácia comparável — um detalhe que tem impacto direto na experiência do paciente e na sustentabilidade do sistema.
Ao falar daquilo que chamo de respiração do cuidado — o ritmo entre intervenção e recuperação — Corradini destacou que a menor tossicidade do liso-cel pode reduzir custos associados a internamentos e complicações, aliviando a carga financeira sobre o sistema sanitario nacional e permitindo que recursos se direcionem a outras frentes de cuidado.
O professor lembrou que o liso-cel é indicado para linfomas a grandes células e seu uso abrange três subtipos histológicos: linfomas difusos a grandes células não classificados de outra forma, linfomas decorrentes da transformação de um linfoma folicular e os linfomas primitivos do mediastino. Essa categoria representa a parcela mais numerosa dos linfomas não-Hodgkin e frequentemente atinge pacientes jovens — um grupo para o qual cada escolha terapêutica altera profundamente o curso da vida.
Corradini também ressalta que, embora existam excelentes opções de primeira linha, os produtos celulares surgem como avanço decisivo na primeira recaída ou em doença refratária, oferecendo ganho de sobrevida em comparação com terapias convencionais. Além da perspectiva de cura, o que me interessa como observador do cotidiano é o efeito na qualidade de vida: tratam-se, muitas vezes, de tratamentos únicos, capazes de reduzir o sofrimento e acelerar o retorno às rotinas afetivas e produtivas — a chamada colheita de hábitos que nutre a recuperação.
Sobre acessibilidade, Corradini tranquiliza: a Itália conta com mais de 40 centros CAR-T e os produtos celulares são reembolsados pelo SSN. Em outras palavras, o serviço nacional de saúde garante que terapias inovadoras e de elevado custo sejam disponibilizadas a quem delas precise, sem que o acesso fique preso a barreiras econômicas.
Enquanto caminhamos pelas estações do cuidado, notícias como essa lembram que a inovação, quando bem integrada ao tecido social, floresce em benefício de todos. O liso-cel representa, assim, um novo capítulo para pacientes com linfomas a grandes células: menos toxicidade, mesma eficácia e um horizonte mais respirável para a vida.






















