Em um encontro com a imprensa em Milão promovido pela GSK, Antonella Barone, presidente da Aipamm — Associação Italiana de Pacientes com Doenças Mieloproliferativas — destacou o impacto promissor do recente inibidor JAK de administração oral, o momelotinib, para pessoas com mielofibrose. “O novo inibidor JAK momelotinib é uma grande oportunidade para os pacientes com mielofibrose. Permite de recuperar a autonomia e a independência, coisa muito importante no follow-up”, afirmou Barone, sublinhando a dimensão humana além dos números clínicos.
Como um observador atento das estações do corpo e da cidade, vejo nessa novidade terapêutica algo como um primeiro sopro de Primavera após um inverno longo: não é apenas a redução de sintomas ou parâmetros hematológicos, é o retorno de gestos cotidianos — subir escadas, preparar um café, caminhar até o mercado — que compõem a respiração da vida diária dos pacientes. O que Barone enfatiza é justamente essa recuperação da rotina e da dignidade, aspectos centrais no cuidado contínuo.
O momelotinib, administrado por via oral, surge em um momento em que terapias direcionadas trazem possibilidades reais de melhorar qualidade de vida. A administração domiciliar facilita a adesão e reduz deslocamentos hospitalares, uma vantagem que reverbera especialmente na fase de seguimento. Para pacientes e cuidadores, a independência recuperada muitas vezes tem peso semelhante às medidas clínicas: é a colheita de hábitos que haviam sido interrompidos.
Barone lembrou que, além dos dados científicos, é crucial ouvir a voz dos pacientes — suas necessidades, seus medos e pequenas vitórias. A participação da Aipamm no debate sobre novas terapias reforça a parceria entre sociedade civil, indústria e comunidade médica, buscando traduzir avanços técnicos em ganho palpável para quem vive com mielofibrose diariamente.
Do ponto de vista prático, o fato de o momelotinib ser um inibidor JAK oral facilita a integração ao cotidiano. A independência no tratamento tende a reduzir o desgaste emocional e logístico do paciente, nutrindo o que costumo chamar de “tempo interno do corpo”: um ritmo restaurado, mais alinhado às estações pessoais de energia e descanso.
Esta declaração em Milão acende um farol para a comunidade: novas opções terapêuticas podem significar mais do que dias a mais — podem devolver autonomia, afeto e a possibilidade de uma vida menos condicionada pela doença. Como observador e guia sensível às interações entre ambiente e bem-estar, convido a olhar esses avanços também como pequenas renovações do cotidiano, folhas novas após a poda.
Assinado,
Alessandro Vittorio Romano — Espresso Italia






















