Em Milão, durante um encontro com a imprensa promovido pela GSK, Antonella Barone, presidente da Aipamm — Associação Italiana de Pacientes com Doenças Mieloproliferativas — descreveu o momelotinibe como uma grande oportunidade para quem convive com mielofibrose. Segundo Barone, o novo Jak inibidor oral pode devolver autonomia e independência aos pacientes, um ganho precioso no acompanhamento contínuo da doença.
Falando com a sensibilidade de quem acompanha o dia a dia de pessoas afetadas, Barone lembrou que muitos pacientes enfrentam uma fase marcada pela anemia e pela esplenomegalia, com aumento da baço que compromete o apetite e a nutrição. ‘São pessoas cansadas, que muitas vezes não conseguem completar as atividades rotineiras e sofrem com sintomas sistêmicos — como dores ósseas — que a anemia só agrava’, afirmou. A necessidade frequente de transfusões adiciona uma carga logística significativa: exige a presença constante de um cuidador e ocupa o dia inteiro com procedimentos que consomem tempo e energia.
Como um observador que percebe os ciclos e as respirações da cidade e do corpo, lembro que a batalha contra a mielofibrose não é apenas clínica, é também social. Barone sublinhou que, atualmente, não existe um medicamento curativo para a doença: ‘A única oportunidade de cura continua sendo o transplante de células-tronco hematopoiéticas’. Por isso, há um apelo por mais doadores e por campanhas de informação que expliquem a importância da doação.
Além da necessidade de aumentar o número de doadores, Barone destacou outro ponto fundamental: o reconhecimento institucional da carga que a mielofibrose impõe sobre pacientes e cuidadores. ‘Ainda nos deparamos com situações em que os encargos reais da doença não são plenamente reconhecidos’, disse, pedindo formas concretas de assistência por parte das instituições públicas e privadas.
O momelotinibe, como novo Jak inibidor oral, surge não só como um avanço terapêutico, mas como uma promessa de recuperar o tempo interno do corpo — aquela capacidade de retomar pequenas liberdades cotidianas que a doença rouba. Na prática, significa menos dispêndio de força para tarefas diárias, menor dependência de transfusões e um potencial alívio para quem cuida.
Como observador atento ao entrelaçar da vida e da saúde, vejo nessa notícia uma colheita de esperança: pesquisas devem avançar e políticas públicas precisam acompanhar esse ritmo. Barone concluiu com um apelo claro à comunidade médica, às instituições e à sociedade: mais investimento em pesquisa, mais doadores e mais informação são raízes essenciais para que pacientes jovens e adultos possam planejar um futuro com mais qualidade de vida.
Em síntese, o posicionamento da Aipamm sobre o momelotinibe reafirma que o cuidado com a mielofibrose deve olhar para além do sintoma, abraçando a pessoa em sua totalidade — porque a terapia eficaz também devolve ritmos, independência e dignidade.






















